A última missão da Columbia foi o vôo científico mais ambicioso em anos, e embora muitos dos dados reunidos durante 16 dias em órbita tenham se perdido, a Nasa disse hoje que alguns resultados sobreviveram.

A Columbia explodiu na reentrada da atmosfera terrestre na manhã de sábado (1º), desintegrando-se sobre o Texas e matando os sete astronautas a bordo.

Esperava-se que a Columbia voltasse com um tesouro de informações. Mais de 80 experiências estavam à bordo e os astronautas foram divididos para trabalhar em turnos de 12 horas para que a experiências continuassem dia e noite.

“Felizmente, com o satélite que tínhamos em órbita, conseguimos dados fantásticos da missão em tempo real”, disse Bill Readdy, administrador associado da Nasa para o vôo. “Há ainda, eu acho, resultados científicos fantásticos desta missão”.

“Eu acho que é muito adequado dizer que esta tripulação forneceu grande conhecimento científico”.

A maioria das experiências científicas visava salvar vidas na Terra.

Um dos estudos envolvia o crescimento do tecido do câncer de próstata, que potencialmente traria avanços para o tratamento.

Outros envolviam combustão. A tripulação do Columbia criou a chama mais fraca já desenvolvida em laboratório, cerca de 1/200 de um palito de fósforo.

A importância, de acordo com o cientista da Nasa John Charles, é que chamas fracas soltam menos fuligem e “fuligem é a causa de 60 mil mortes prematuras apenas nos Estados Unidos”.

Dados transmitidos

Embora alguns dados tenham transmitidos enquanto a Columbia estava em órbita, os cientistas na Terra esperavam observá-los mais detalhadamente na esperança de desenvolver internamente mecanismos de combustão que usam menos combustível e emitem menos poluentes.

Algumas experiências beiravam a futilidade. Uma companhia de perfumes, que descobriu que as fragrâncias extraídas de rosas no espaço tinham um cheiro diferente das extraídas no solo, pagou para produzirem um novo aroma no espaço.

Um grande número de experiências de estudantes, algumas propostas por crianças com idades até 12 anos, eram parte de uma missão educacional da Nasa. As experiências foram propostas por crianças dos Estados Unidos, Austrália, China, Israel, Japão e Liechtenstein.

Algumas plantas e pequenos animais estavam a bordo, a maioria de projetos de estudantes. Dentre eles estavam abelhas carpinteiras, aranhas, bichos-de-seda e formigas.

Entre as descobertasestá a de que musgos, em gravidade zero, crescem em padrões espirais, na busca pelo norte.