A Operaer 2002, exercício militar que está sendo realizado no sul do País, serviu para mostrar as deficiências existentes na Força Aérea Brasileira (FAB) e que precisam ser corrigidos. A avaliação é do comandante Geral do Ar  brigadeiro José Carlos Pereira, responsável pelo treinamento.

Ao fazer um balanço do exercício, que será encerrado no domingo, o brigadeiro lamentou as dificuldades técnicas e financeiras que estão sendo enfrentadas pela FAB e defendeu a necessidade de liberação de recursos, de forma continuada para as Forças Armadas, de forma que ela possa planejar suas operações.

Apesar de todas as dificuldades, o brigadeiro assegurou: ?o povo brasileiro pode confiar em sua Força Aérea, porque os pilotos brasileiros não devem nada aos estrangeiros, mas os equipamentos, sim?. ?Tudo é perdoável em uma força armada, menos ser surpreendido?, comentou o brigadeiro. ?Temos 400 aviões parados e o treinamento dos pilotos é fundamental para saber em que condições físicas eles se encontram?, afirmou ele, ao reconhecer que a Força Aérea ?está debilitada?.

A operação, de acordo com o brigadeiro, foi um sucesso e serviu justamente para que a FAB possa se prevenir, inclusive das suas deficiências, tomando ainda mais precauções. ?Por isso, até os problemas foram revertidos em ensinamentos no treinamento.? O comandante Geral do Ar, que defende a necessidade de ser regulamentada a lei do abate, acha que exercícios como estes servem para dissuadir a ação de traficantes e de aventureiros em todo o País.

Diariamente, segundo ele, cinco ou seis aviões irregulares invadem o espaço aéreo brasileiro. ?A lei do abate seria uma arma pelo menos para inibir as invasões?. Para ele, a grande ameaça ao Brasil hoje, é o narcotráfico.

Justamente pela carência de recursos e falta de regularidade na liberação das verbas, desde 1991 não é realizada uma operação desse porte. Orçada em R$ 5 milhões, o brigadeiro defende que exercícios deste tipo sejam realizados anualmente.

Um dos militares com trânsito no PT e que, por isso mesmo, teve seu nome aventado para alguns cargos no futuro governo, o brigadeiro J.Carlos assegurou que não houve nenhum tipo de convite. ?O que tem é muita especulação e ninguém foi convidado para nada?, desconversou ele, ao avisar que está muito satisfeito no posto que ocupa, comandando o espaço aéreo brasileiro. ?Eu gosto mesmo é de fazer manobra para impedir a entrada de narcotraficante no País ou colocá-los para correr daqui?.

O brigadeiro J. Carlos lembrou que 70% das atividades da Força Aérea são de apoio a área social e salientou que não podem faltar recursos para estas atividades que são fundamentais para o País.

?Podemos ficar sem bomba, sem míssil, mas não podemos abandonar os Ministérios da Agricultura ou da Saúde, por exemplo, que dependem de nós para vacinar o gado, levar vacinas para as crianças no interior do País, ou até para transportar comida para áreas afetadas por secas ou enchentes. Estas são as nossas prioridades?, avisou.