Excesso de liquidez global deve acabar, prevê economista

O presidente do Citibank, William Rhodes, fez um alerta hoje (4) de que os spreads dos títulos dos países emergentes estão baixos demais, por causa da enorme liquidez global, e podem não estar refletindo corretamente o risco de se investir naquelas economias. "Eu estou neste negócio há 40 anos, e nunca vi uma liquidez como a dos últimos anos", disse Rhodes. Os spreads são o adicional de rentabilidade (que reflete o maior risco) dos títulos em relação os papéis equivalentes do Tesouro americano.

Para ele, "parece haver insuficiente diferenciação entre investidores e credores sobre as economias emergentes". Segundo Rhodes, "pode-se questionar até que ponto esses spreads genuinamente refletem os riscos que investidores e credores estão assumindo em países que não estão perseguindo reformas econômicas de médio prazo, capazes de produzir crescimento sustentado e de produzir um ambiente de estabilidade".

Rhodes é uma das principais autoridades em dívida de países emergentes na comunidade financeira internacional, e liderou, por parte dos credores, a renegociação nos anos 80 da dívida externa brasileira e de outros países latino-americanos. Atualmente, ele é vice-chairman do Instituto Internacional de Finanças (IFF), uma associação internacional de bancos. Hoje, durante a reunião anual do Banco Inter Americano de Desenvolvimento (BID), Rhodes deu uma entrevista à imprensa, junto com Roberto Setúbal, presidente do Itaú e também vice-chairman do IIF, e Charles Dallara, diretor-gerente do IIF.

Segundo Dallara, em tempos de spread baixo, os governos atribuem a bonança a "um voto de confiança" dos investidores, o que "nem sempre é o caso". Para ele, "os países em que as políticas são mais questionáveis vão enfrentar maiores desafios à medida em que as taxas de juros (internacionais) subirem".

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google
Voltar ao topo
O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Ao comentar na Tribuna você aceita automaticamente as Política de Privacidade e Termos de Uso da Tribuna e da Plataforma Facebook. Os usuários também podem denunciar comentários que desrespeitem os termos de uso usando as ferramentas da plataforma Facebook.