O ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza disse ontem, em Curitiba, que o analfabetismo no Brasil está “com os dias contados”. “O essencial, que é levar as crianças à escola, fizemos nos últimos oito anos de governo”, argumenta, referindo-se ao período que o País foi comandado por Fernando Henrique Cardoso.

“Atualmente, a maioria dos analfabetos tem mais de 50 anos.” Paulo Renato, que esteve no Paraná para prestar consultoria a um grupo de ensino, diz acreditar que, até o fim desta década, o analfabetismo deixe de ser um problema tão grande no País. Apesar de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontarem que o Brasil tem 20 milhões de analfabetos e que dois terços dos jovens que entram no ensino fundamental não conseguem terminar o ensino médio, Paulo Renato se mostra otimista, inclusive com as medidas que ainda devem ser tomadas pelo atual governo para o desenvolvimento da educação. “Até 1995, o acesso à educação não era universal e o número de repetências era elevado”, lembra. “Houve uma mudança estrutural na educação brasileira e o novo governo tem a intenção de dar continuidade ao que já foi feito.”

O ex-ministro afirma que o País está evoluindo. “Nos últimos anos, os números de faculdades e universidades aumentaram bastante e é cada vez maior o número de jovens que chegam às portas do ensino superior”, diz.

Em relação ao terceiro grau, Paulo Renato diz que o maior desafio é as universidades se transformarem para oferecer qualidade e enfrentar a grande competitividade. “Hoje, pessoas que antes não tinham acesso ao ensino superior estão tendo a chance de conquistar um diploma”, diz. “Elas escolhem a instituição em que vão estudar de acordo com suas condições financeiras e baseadas na qualidade do ensino que vão receber. As instituições devem estar preparadas para conquistar essas pessoas.”

Segundo Paulo Renato, os sistemas de avaliação do ensino superior, como o Exame Nacional de Cursos (Provão), as visitas de comissões especializadas por áreas às universidades e questionários de avaliação preenchidos pelos próprios estudantes estão obrigando todas as instituições a se qualificarem. “Em 1995, apenas 25% dos professores que lecionavam nos cursos superiores tinham mestrado ou doutorado”, lembra. “Hoje, esse índice subiu para 50%, o que comprova que as instituições estão correndo atrás da qualidade e da competência.”