São Paulo – O ex-controlador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, passou a noite de sexta-feira numa cela de quatro metros quadrados na Polícia Federal, em São Paulo. Dono de uma mansão avaliada em R$ 50 milhões, no bairro do Morumbi, também em São Paulo, Edemar dormiu numa cela de paredes brancas, piso frio, com um colchão sobre uma cama de alvenaria, sem janelas. Ele deu sorte: poderia ter dividido o espaço com outros presos da PF.

Até hoje à tarde, o ex-banqueiro continuava preso. Mas seu advogado, Arnaldo Malheiros Filho, entrou com pedido de habeas-corpus para libertá-lo. Até o fechamento desta edição, o Tribunal Regional Federal ainda não havia julgado o pedido. Por volta de meio-dia, dois filhos de Edemar foram levar comida para ele, mas não puderam entrar.

Edemar foi preso, depois de ter a prisão preventiva decretada pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal, especializada em lavagem de dinheiro. O juiz acatou pedido do Ministério Público Federal. Segundo a decisão judicial Edemar teve a prisão determinada por ocultar o paradeiro de obras de arte à Justiça e pela tentativa de "obstrução da apuração da Justiça brasileira a pretexto de influir nas autoridades de Antígua". Edemar não informou onde estavam algumas obras de seu acervo,que deveriam estar em poder da Justiça – 38 estavam desaparecidas – e tentou dificultar a transmissão de dados da Justiça da ilha caribenha à Justiça do Brasil.

"Essa prisão é ilegal. Não é caso de prisão preventiva. Acabamos de entrar com pedido de habeas-corpus, não há razão para essa prisão sem julgamento. Os quadros são questão civil, que não se confundem com liberdade", disse o advogado. Para ele, o juiz usou de fatos antigos, que já constam no processo, para justificar a prisão.

Edemar é acusado de gestão fraudulenta e responsabilidade pela quebra do Banco Santos, que sofreu intervenção do Banco Central em 2004 e teve a falência decretada em setembro do ano passado, com estimativa de um prejuízo de R$ 2,2 bilhões. O ex-banqueiro e outros 18 ex-diretores do banco respondem a processo por crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. Boa parte das obras de arte da coleção de Edemar – calcula-se 22 mil obras – foi tomada pela Justiça, em 2005, e encaminhada a museus do País.