Brasília (AE) – O ex-diretor de Tecnologia dos Correios Eduardo Medeiros apresentou hoje uma nova versão em relação à indicação ao cargo e negou que tenha ocupado o posto por sugestão do secretário-geral licenciado do PT, Sílvio Pereira, conforme admitiu, um dia antes, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios. Em depoimento de três horas no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, Medeiros afirmou que ocupou a Diretoria de Tecnologia da empresa por indicação técnica. "Iniciei minha trajetória nos Correios por meio de concurso, há 23 anos. Na minha avaliação, minha indicação foi técnica." Medeiros afirmou ainda que, dentro da empresa, porém, circulava a informação de que ele havia sido recomendado por Pereira. "Havia comentários de que minha indicação teria sido feita pelo Sílvio Pereira e eu nunca neguei", disse. A negativa nunca foi feita porque, segundo ele, a condição lhe dava "status".

O ex-diretor dos Correios disse também ter tido dois encontros com Pereira. Os dois contatos foram feitos, de acordo com Medeiros, após ele ter assumido a Diretoria de Tecnologia da empresa, em 2003, e por inciativa dele. O primeiro, relatou, ocorreu num restaurante em Brasília, cerca de dois meses depois de ele assumir a nova função. "Eu e o Madureira (Maurício, ex-diretor de Operações) o procuramos porque sabíamos que era ele (Pereira) que controlava os cargos", afirmou. "Nós o procuramos para estabelecer um vínculo, um canal." Segundo Medeiros, o segundo encontro com Pereira ocorreu, "em março ou abril" de 2004, numa sala de um hotel em São Paulo. Desta vez, relatou o ex-diretor dos Correios, "eu procurei-o para perguntar se ele sabia como ficaria a situação dos Correios, já que um novo presidente, João Henrique, havia assumido o cargo".

Medeiros disse que Pereira estava acompanhado de outras pessoas, que ele afirmou não saber de quem se tratavam. "Tomamos um café e conversamos por cinco ou dez minutos. Ele disse-me que não tinha informações sobre o processo (mudanças na empresa) e que não estava tratando mais daqueles assuntos", contou Medeiros.

Medeiros, que quase foi preso ontem (12), durante o depoimento na CPI dos Correios, por falso testemunho, reafirmou que o dono da Metalúrgica Gadotti Martins, Vilmar Martins, telefonou para ele há alguns dias. "Eu achei estranho", comentou sobre a ligação de Martins, que queria tratar de uma dificuldade que teve há 13 anos, ao prestar serviço para os Correios. "Disse a ele que estava de férias, que não estava mais nessa área e que, se ele quisesse retomar o assunto, que protocolasse na empresa", afirmou Medeiros.

O ex-diretor dos Correios disse ainda que, além dos dois contatos pessoais com o secretário-geral licenciado do PT, falou uma vez por telefone com Pereira. "Ele ligou-me quando saiu a matéria da ‘Veja’ (sobre as denúncias nos Correios) para saber quais providências nós iríamos tomar." Parlamentares – O ex-diretor dos Correios relatou ainda ter recebido parlamentares em audiências na estatal. Não forneceu nomes, alegou que não se lembrava, nem disse que assuntos eram tratados. Mas disse que os encontros com os deputados estão registrados na agenda, que ele disse que tornará disponível ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Medeiros também autorizou aos integrantes do conselho que peçam a quebra do sigilo telefônico.

Medeiros, que foi ouvido hoje como testemunha do presidente nacional licenciado do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), disse nunca ter se encontrado com ele "nem fora nem dentro dos Correios". Também afirmou que nunca soube de nenhum pedido feito à empresa pelo PTB.