O presidente Evo Morales pediu hoje ao governo do Brasil para que "não menospreze a Bolívia" e reclamou "uma melhor compreensão" para a formação do preço do gás natural que este país vende ao vizinho. "Esperamos que governos e países vizinhos não menosprezem a nossa Bolívia. Somos um país pequeno e subdesenvolvido, mas como nação temos muita dignidade e autoridade para negociar e defender nossos recursos naturais", afirmou Evo.

O presidente esclareceu que não se trata de um assunto de "generosidade" ou "solidariedade", mas sim que o Brasil pague "um preço real" pelos 26 milhões de metros cúbicos que diariamente a Bolívia vende a este país. De acordo com o governo boliviano, um aumento no preço do gás permitiria que a Bolívia obtivesse cerca de US$ 300 milhões adicionais anualmente. Este dinheiro, segundo Evo, seria usado para "resolver problemas sociais e econômicos".

O Brasil paga atualmente quase US$ 4 por cada milhão de unidades térmicas britânicas (BTU) com base em um contrato que data do final dos anos 90 e pelo qual os preços são reajustados trimestralmente. A Bolívia quer que seu maior sócio comercial passe a pagar US$ 5 por milhão de BTU, o mesmo preço pago atualmente pela Argentina. Mas as negociações sobre o preço avançaram pouco desde junho, quando a Bolívia apresentou um pedido formal de reajuste. Evo Morales fez seus comentários em La Paz, durante a celebração dos 70 anos da fundação da empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB).