O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta quinta-feira (19) que a Petrobras está tentando vender as duas refinarias que possui na Bolívia, passando ao governo mais do que a participação majoritária requerida pelos termos de nacionalização naquele País.

"A Petrobras demonstrou interesse em vender 100% das ações nas refinarias", disse o presidente em conferência de imprensa em La Paz. No evento, Morales tratou do encontro que teve com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula de energia ocorrida na Venezuela, no início da semana.

De acordo com o decreto de nacionalização lançado no ano passado a Bolívia planeja assumir participação majoritária nas duas refinarias, que juntas respondem por quase todo o consumo doméstico de combustível. Os termos da transferência ainda precisam ser negociados.

Morales também sinalizou que a Bolívia pode pagar menos que o que a Petrobras pede. Segundo o presidente, as negociações entre os dois países vão determinar se os ativos serão vendidos com base em preços internacionais ou pelo valor pelo qual os ativos foram comprados na Bolívia.

A Petrobras comprou as duas refinarias em 1999 por US$ 100 milhões. Hoje, Morales indicou que a Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos (YPFB) prefere reembolsar os custos originais para a Petrobras em vez de pagar o valor de mercado total.

"Os fatos nos dizem que eles (Petrobras) compraram as refinarias pelo preço boliviano original", segundo o presidente. "O valor dos ativos está em debate e o diálogo entre a Petrobras e YPFB prossegue.

Ontem, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que a companhia brasileira defenderia seu ponto de vista. A Petrobras alega que, desde a compra, investiu US$ 105 milhões nas refinarias.

O jornal "Folha de S. Paulo" publicou ontem que Morales, no encontro com Lula, disse que assumiria o controle das refinarias sem pagar indenização integral.

Em setembro passado, o então ministro de Hidrocarbonetos, Andres Soliz Rada, anunciou o confisco das duas refinarias, em Cochabamba e Santa Cruz, sem indenização. Mas o Brasil contestou a medida e Morales demitiu Rada e anulou o confisco. As informações são da Associated Press, citada pela Dow Jones.