Os problemas enfrentados pelas empresas familiares quando chega o momento da sucessão foi o tema principal no painel Governança Corporativa para Empresas Familiares, promovido nesta manhã de terça-feira (07), pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), através da Universidade da Indústria (Unindus), em parceria com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

?A governança corporativa é um tema que temos debatido entre as empresas paranaenses por ser uma lacuna muito grande na nossa realidade do dia-a-dia no que diz respeito à longevidade das organizações?, afirma Cláudio Grochowicz, diretor-presidente do Grupo Jamari S.A. Participações, de Curitiba (PR), ao qual pertence a empresa Terra Rica, Indústria e Comércio de Calcário, de Almirante Tamandaré, e presidente do Sindicato da Indústria de Extração de Mármores, Calcários e Pedreiras do Estado do Paraná.

Grochowicz foi o principal painelista do evento e apontou que 90% das empresas brasileiras são familiares e um dos principais problemas enfrentados é a sucessão familiar, que atualmente compromete seriamente a perenidade das organizações. ?Estudos mostram que a taxa de mortalidade das empresas é muito maior da segunda para a terceira geração da família que assume o empreendimento já com problemas que não foram resolvidos pelos fundadores?, aponta.

Segundo o empresário, as estatísticas mundiais indicam que há muita resistência no momento de passar a empresa para as mãos dos herdeiros. Os dados mostram que mais de 60% dos fundadores de organizações em todo o mundo não planejam a sucessão e muitos até cogitam em fechar a empresa quando não puderem mais atuar. ?Não tem como haver motivação entre trabalhadores e profissionais de uma empresa que está com data marcada para morrer?, diz.

Entre as ferramentas que ajudam na dissociação profissionalizada dos três pilares de uma empresa familiar que são: família, patrimônio e empresa, é a Governança Corporativa. De acordo com Fernando Mitri, consultor do IBGC, esses três pilares de uma corporação devem ser tratados separadamente, porém com as ligações pertinentes e cabíveis. ?A Governança Corporativa busca o equilíbrio entre a propriedade e a gestão, ligando os pontos comuns entre os conselheiros administrativos e os diretores que, por sua vez, não se envolvem nas principais decisões cabendo aos conselheiros a escolha dos principais executivos de uma empresa?, afirma Mitri.

Para ele, a propriedade e a gestão são as bases para a implantação da Governança Corporativa de maneira saudável. ?A Governança é um sistema que regula a relação entre as partes que têm uma ação importante no andamento da organização equilibrando o jogo de forças e contribuindo para a perpetuidade da empresa?, conta.

O painel promovido pelo Sistema Fiep e a Unindus é uma das diversas ações das entidades para levar o tema às indústrias do Estado. ?A Governança Corporativa é ingrediente fundamental na discussão maior que é a sustentabilidade dos negócios. Queremos levar às empresas a capacidade de se autogerir e de repensar seus negócios de forma atualizada e em consonância com o mercado?, afirma Marcos Mueller Schlemm, diretor da Unindus.

Segundo ele, a grande maioria das empresas do Paraná precisa pensar em como levará seus empreendimentos adiante neste cenário tão competitivo que ultrapassa as barreiras geográficas. ?O tema é tão importante que já programamos para o próximo ano uma série de encontros, em diversas regiões do Estado. Queremos orientar os empresários a não focarem somente os negócios, mas principalmente a continuidade deles?, alerta Schlemm.

Para Cláudio Grochowicz, a Fiep e a Unindus estão no caminho certo, pois para difundir os conceitos de Governança Corporativa é preciso criar fóruns de discussão, nos quais as empresas consigam trocar idéias e experiências e encontrar pontos comuns para a solução de problemas peculiares. ?Grandes empresas brasileiras já tomaram esse caminho. No entanto, micros e pequenas ainda estão engatinhando no grande desafio que é o de transferir conhecimento e cargos na hora certa, para que não percam capitais tecnológico e profissional?, conclui.