O famoso discurso sobre o Estado da União, uma das falas mais esperadas do presidente do mais poderoso país do mundo, os Estados Unidos, por extensão, o homem ungido pelas circunstâncias para suportar sobre os ombros essa estonteante carga de poder, foi proferido na última quarta-feira.
Antes do horário programado, a atenção do mundo se voltava para alguns trechos liberados pela Casa Branca, de modo especial aquele em que o presidente George W. Bush, numa atitude inédita pelo desprendimento em reconhecer um abusivo desvio de conduta, acusou o mal-estar herdado do ?vício? nacional do petróleo.
Vencidas as resistências pessoais e de seu núcleo de comando, Bush se referiu à extrema necessidade de aumentar a dotação de recursos para incrementar as pesquisas de combustíveis alternativos.
A tardia preocupação do presidente chega no momento em que o consumidor paga os preços mais elevados da história pela gasolina e demais derivados de petróleo. Em contrapartida, a gigante Exxon anunciou o lucro do ano passado: US$ 10,7 bilhões.
Problemas de ordem militar no Iraque, espólio infamante duma guerra somente justificada pelo ?vício? afinal admitido, complicações à vista no Irã e na Palestina, com a vitória do Hamas, os efeitos do Katrina e a espionagem doméstica são outros percalços no caminho do homem mais poderoso da Terra.
Além disso, é visível a inquietação de Washington com a escalada do crescimento econômico verificado na China e na Índia, emergentes que despertam com apetite de gigantes.


