O programa Farmácia Popular deve receber, a partir da semana que vem, a adesão de mais estabelecimentos privados interessados em vender medicamentos por preços até 90% menores que os cobrados no mercado. Segundo o diretor de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, Dirceu Barbano, na segunda-feira (26) deve ser publicada portaria no Diário Oficial da União com a relação das novas farmácias e drogarias credenciadas.

A expansão do Programa Farmácia Popular a 1.213 estabelecimentos privadas do país foi anunciada ontem (23) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Nós estamos recebendo os documentos, fazendo análise e publicando o credenciamento da rede privada e acreditamos que nas próximas semanas esse número já tenha crescido bastante", informou Barbano, em entrevista à Rádio Nacional AM .

As farmácias privadas que participam do programa estão distribuídas em 213 municípios, em 19 estados. A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 11,5 milhões de pessoas. Inicialmente, serão oferecidas cerca de 200 apresentações de medicamentos para hipertensão e diabetes, com oito princípios ativos.

Segundo o diretor, a expectativa é incluir novos medicamentos no programa: "Não há nada que impeça, muito pelo contrário, que outros medicamentos, com o passar do tempo, sejam incluídos, sempre levando em consideração esse critério de prevalência e o de interesse na saúde pública".

De acordo com o Ministério da Saúde, 16,8 milhões de brasileiros com idade igual ou superior a 40 anos sofrem de hipertensão. Desse total, cerca de 7,7 milhões estão cadastrados no Sistema Único de Saúde (SUS) e já recebem os medicamentos gratuitamente. No caso de diabetes, o número total de portadores da doença é de cerca de 5 milhões, também na faixa acima de 40 anos. Desses, 2,6 milhões são pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o diretor, hipertensão e diabetes foram escolhidas justamente porque são doenças que acometem um grande número de pessoas. "Quando elas precisam comprar medicamentos e não têm como pagar, fazem o tratamento de forma irregular, podendo levar a um agravamento, e o custo do tratamento normalmente se torna mais caro", disse.

Barbano lembrou que, muitas vezes, essas doenças acabam trazendo complicações ao paciente, como insuficiência renal, infarto e acidente vascular cerebral. O diretor explicou que, pelo novo sistema, o paciente paga uma parte do preço do medicamento e o governo arca com o restante. "Esse valor de referência está fixado na farmácia, as pessoas sabem que para o medicamento tal, o valor de referência, por exemplo, é R$ 5. Ele sabe que o governo vai pagar 90% desse valor, ou seja, R$ 4,50. Se esse medicamento custar R$ 5, ele vai pagar os outros R$ 0,50", exemplificou.

Na farmácia, o paciente deve apresentar o CPF e a receita médica para comprar o medicamento.