Em encontro realizado hoje em São Paulo, representantes da ultra-esquerda do PT decidiram deixar de lado as divergências que têm com a ala majoritária do partido com um propósito: eleger Luiz Inácio Lula da Silva presidente. O grupo está disposto a ter posições próprias num eventual governo petista, mas, para não atrapalhar a campanha, elas só serão firmadas em um novo encontro, após as eleições.

As discussões sobre a postura da ala radical do PT – que inclui 26 dos 91 deputados federais eleitos pelo partido – ocorrerão no dia 29, no Rio de Janeiro. “Somos contra, por exemplo, o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas esse não é o momento para discutir isso”, disse a deputada eleita Luciana Genro (RS), uma das lideranças do chamado Bloco de Esquerda. “Vamos deixar as discordâncias de lado para eleger Lula”, completou Luciana, que inclui no rol de objetivos as eleições de seu pai, Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, e de José Genoino, em São Paulo.

A reunião de hoje contou apenas com mais um deputado federal eleito, Lindberg Farias (PT-RJ). Ivan Valente (PT-SP), um dos líderes do Bloco, compareceu. Estiveram no encontro o deputado estadual reeleito Renato Simões, que comanda o “Fórum Socialista”, além de integrantes de pequenos grupos regionais, como o “Refazendo”, de Minas, e o “Pólo de Esquerda”, do Rio Grande do Sul.

O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), que comanda a ala majoritária e mais moderada do partido, procurou inteirar-se da reunião e, em conversas reservadas com outras lideranças, minimizou o episódio. Segundo Dirceu, as tendências radicais realmente importantes dentro do partido, como a Articulação de Esquerda, não enviaram nenhum deputado à reunião. A avaliação do comando de campanha do candidato à Presidência é que os radicais do partido perderão peso com uma eventual vitória de Lula no dia 27.