O Plano Brasileiro de Contenção da Gripe Aviária deverá ser colocado plenamente em prática depois do Carnaval para evitar que a doença chegue ao país. A recomendação é do professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo de Melo Martins.

"O momento é de tranqüilidade. Se (a gripe aviária) chegar, deve ser no inverno, nos meses de julho e agosto. Por isso, as ações logo depois do Carnaval são tão importantes", disse o professor, durante entrevista ao Programa "Revista Brasil", da Rádio Nacional.

Ricardo Martins, que participou da elaboração do plano como especialista convidado, diz ser necessário intensificar a divulgação de informações para a população e para a imprensa. "A distribuição de folhetos para os visitantes e a instalação de barreiras nos portos e aeroportos também podem contribuir para que a doença não entre no Brasil", avaliou Martins.

O país, de acordo com o professor da UnB, tem uma "capa de proteção" natural contra a doença. Vindas da Ásia e Europa, as aves migratórias possivelmente infectadas pelo vírus H5N1 passam primeiro pela América do Norte. Antes de chegar ao território brasileiro, a maior parte delas deve morrer pelo caminho.

Mesmo assim, o Ministério da Agricultura instalou postos de monitoramento nas regiões por onde as aves migratórias costumam entrar no país. O Ministério da Saúde, por sua vez, repassou R$ 3,1 milhões ao Instituto Butantã para a fabricação de vacinas contra o vírus.

A gripe aviária é uma doença infecciosa aguda transmitida por um dos subtipos mais agressivos do vírus influenza, o H5N1. Ela já causou a morte de 83 pessoas de um total de 152 infectadas. A incidência tem sido maior na Ásia. Por enquanto não houve nenhum registro de transmissão entre pessoas, apenas de ave (frango) para outra do mesmo gênero e de dessas aves para humanos.