Espada de Dâmocles

O publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza estava com a espada de Dâmocles pendurada sobre a cabeça. Os trinta milhões tomados do Banco de Minas Gerais tinham prazo para devolução até as 18 horas de ontem.

Convenhamos que não é fácil, mesmo para um eficiente provedor de grandes quantias. que tanta desenvoltura mostrou quando acionado pelo ex-tesoureiro do PT, dispor agora de soma tão elevada para saldar a dívida em seu nome.

A lógica tardia de Valério o define como empresário de boa-fé, apesar de admitir a escolha equivocada de ter intermediado os financiamentos, na verdade, de interesse exclusivo do PT e do oneroso esquema de sustentação atual e de futuras eleições.

É pena que o publicitário tenha chegado a essa conclusão só agora, depois da debandada de seus principais clientes e da exposição exacerbada da imagem de putativo mentor da corrupção apontada pelo deputado Roberto Jefferson. O primeiro a mencionar o ?carequinha? que falava de dinheiro como coisa de somenos importância.

O entrelaçamento do público com o privado atingiu, nesse caso, o ponto de não-retorno. Valério pegou trinta milhões do BMG para cobrir rombos da caixa delubiana. O PT quebrou e Midas viu-se pressionado pelo credor que, afinal, não é nenhuma associação benemerente. Salve-se quem puder. 

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