Quem quiser aprender a construir um papagaio (pipa) vai encontrar as dicas no livro "Brincando de voar", do escritor e artista plástico Sérgio Moura e ilustrações de Priscila Sanson. Mas, a publicação é muito mais que isso. ?É o caderno de um menino que viveu sua infância em Manaus, especialmente dedicado aos cidadãos deste Sul brasileiro, para que conheçam a cultura popular mais legítima do Amazonas. É um trabalho de louvor a um tempo em que podíamos brincar nas ruas de nossas cidades. Um tempo mágico para todos os que tiveram a sorte de viver e experimentar a plenitude de uma infância alegre, rodeada de amigos, brinquedos e
brincadeiras, liberdade e paixão?, analisa o autor que tem tarde autógrafos, nesta terça-feira (18), a partir das 18h, no hall térreo da Biblioteca Pública do Paraná.

Moura reconhece que sua intenção ao escrever o livro foi de contar uma estória poética. ?Olhando os papagaios no céu descobri as artes visuais. Se você observar bem, o papagaio está num espaço, num contraplano de fundo azul, envolvendo uma dinâmica visual extraordinária, com movimento, linha, espaço, ação e textura. ?A leitura é para adultos e crianças. É um estímulo para que os pais brinquem com seus filhos?, comenta o autor, lembrando que uma vez por mês, um grupo de 30 a 40 pessoas se reúne para soltar papagaio nos campos da região metropolitana de Curitiba.

Simbolismo – Moura lembra que em Manaus, onde nasceu, empinar papagaio é uma tradição muito forte, passada de geração para geração, coisa que não se vê no Rio
de Janeiro, São Paulo e muito menos aqui no Sul. ?Isso está enraizado no folclore e o folclore está muito mais pulsante e ativo no Norte e Nordeste. Foi criada uma simbologia tal que, cada movimento, cada gesto tem um nome, ou seja, criou-se uma linguagem?.

O autor é, também, artista plástico, educador e serígrafo. Freqüentou a Pinacoteca do Estado do Amazonas de 1965 a 1969. A partir daquele ano começa a viajar pelo País. No Rio estuda com Abelardo Zaluar. Em Salvador tem contato com Emanoel Araújo. Em Ouro Preto participa de festivais de inverno. Em São Paulo faz treinamentos de serigrafia. Chegou em Curitiba em 1973. Aqui concluiu o curso superior de pintura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Desenvolve experiências de arte não convencional e criação coletiva, culminado na criação do sensibilizar, grupo de arte e artistas que atuava nas ruas e envolvia a população como motor da obra.

Trabalha regulamente, produzindo pinturas, serigrafias, projetos especiais e educativos. Agora, sua proposta é criar o parque da pipa, um espaço aberto, sem fios elétricos da iluminação pública e com muito vento. A sugestão deve ser levada, em breve, ao prefeito Beto Richa. Entrevistas podem ser marcadas com Sérgio Moura pelo telefone 3666.4185.