A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga denúncias de corrupção nos Correios ouviu o ex-presidente da estatal, Airton Langardo Dipp, que comandou a estatal em 2003 ao longo de 11 meses. Em sua gestão, foi realizada a licitação para os serviços de publicidade dos Correios. Dipp explicou que a escolha das agências foi feita por uma comissão especial de licitação, responsável pela elaboração do edital e composta por dois representantes dos Correios e três da Secretaria de Comunicação do Governo (Secom).

Segundo ele, participaram da licitação 55 empresas e venceram três ? entre elas a SMP&B, cujo sócio é o empresário mineiro Marcos Valério. O ex-presidente negou conhecer o empresário mineiro. Dipp afirmou ainda que os pedidos de patrocínio eram analisados pelos Correios e, no caso dos valores acima de R$ 50 mil, eram enviados a Secom.

Em nota oficial, a Secom já informou que os contratos de publicidade e a gestão das licitações do Poder Executivo Federal – administração direta e indireta – competem aos respectivos órgãos e entidades. "A Secom tem a faculdade de participar das Comissões de Licitações, conforme determinação legal, mas sua presença restringe-se à análise das propostas técnicas apresentadas e que a licitação, a assinatura, a execução e o acompanhamento dos contratos são processos de responsabilidade exclusiva do órgão ou entidade licitante", registra.

O ex-presidente dos Correios Airton Dipp disse ainda que recebeu o ex-secretário geral do PT, Sílvio Pereira, por duas vezes quando estava à frente da estatal. Segundo ele, Pereira tratou de questões políticas em vários municípios e não sobre agências de publicidade.