Citada pelo advogado Gedimar Pereira Passos em seu depoimento na Polícia Federal, a revista Época emitiu nota ontem revelando que foi procurada há duas semanas por um integrante da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a oferta de uma denúncia contra o candidato pelo PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, e o ex-ministro da Saúde Barjas Negri, atual prefeito de Piracicaba.

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Segundo a revista, o integrante da campanha que a procurou foi Oswaldo Bargas, responsável pelo setor de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula e ex-secretário do Ministério do Trabalho. Ainda conforme a Época, a reunião da revista com o integrante da campanha foi marcada para o dia 6 de setembro, no Hotel Crowne Plaza, em São Paulo. Bargas apareceu acompanhado de Jorge Lorenzetti, que até ontem chefiava a assessoria de risco e mídia da campanha de Lula, conhecida também por ‘Abin do PT’.

De acordo com a Época, Bargas afirmou que tinha denúncias sérias contra políticos de renome. ‘Ele disse apenas que as denúncias seriam fortes o suficiente para desmoralizar o candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo, José Serra, e o ex-ministro da Saúde Barjas Negri’, diz nota da revista.

Relata a revista Época que Bargas e Lorenzetti disseram várias vezes que a reunião nada tinha que ver com o PT nem com o governo. O encontro, segundo eles, servia apenas para sondar o interesse da revista nas denúncias. Bargas, ainda segundo Época, disse que Aloizio Mercadante, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, não sabia de nada. E que do PT apenas seu presidente, Ricardo Berzoini, sabia que ele tinha procurado a revista.

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As denúncias acabaram não vingando porque, de acordo a Época, Bargas telefonou no mesmo dia do encontro para avisar que a pessoa interessada em fazer as acusações contra os ex-ministros Serra e Barjas Negri havia desistido de fazê-las. Uma semana depois a revista IstoÉ publicou entrevista com Darci e Luiz Antonio Vedoin, donos da Planam, com denúncias contra os dois tucanos. À IstoÉ, Luiz Antônio disse ter pago propina a Serra e Barjas Negri para compra superfaturada de ambulâncias, por intermédio do empresário Abel Pereira. Os pagamentos seriam feitos a pelo menos duas empresas, Kanguru e Império – e somariam R$ 601,2 mil.

Berzoini confirmou que soube, sim, que um integrante da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha procurado a Época para ‘tratar de uma pauta de interesse jornalístico’. Em nota oficial, disse, porém, que não teve conhecimento do que foi tratado entre o repórter da revista e os dois petistas. ‘Jamais tive ciência do conteúdo abordado nesse encontro, conforme reproduzido fielmente pelo site da revista.

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Mais uma vez, o presidente do PT indagou a quem interessa o escândalo da venda do dossiê contra Serra. ‘Manifesto, mais uma vez, a minha indignação com esse episódio e condeno, como sempre condenei, o denuncismo e a baixaria em processos eleitorais, reafirmando a necessidade de que todas as denúncias sejam investigadas e esclarecidas o quanto antes.’ Apesar de afirmar que soube do encontro, Berzoini não cita o nome de Bargas em nenhum momento.