Provavelmente um dos novos colaboradores que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve o prazer de conhecer no momento da posse, embora isso não retire sua dignidade e capacidade para exercer o cargo, o ministro da Saúde Agenor Álvares é um desses cidadãos bafejados por circunstâncias fortuitas para estar – mesmo que por curto período – em posição de destaque na gestão pública.

Dia destes o até então desconhecido personagem, e não vai aqui qualquer insinuação de menoscabo à sua biografia, resolveu dar o ar da graça ao declarar aos secretários municipais de saúde reunidos em Recife, que os usuários dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), uma das inumeráveis siglas da floresta burocrática nacional não por acaso mais depressa associadas à corrupção, péssimo atendimento, desleixo e filas intermináveis, de agora em diante vão receber atendimento humanizado.

Alvíssaras ao ministro da Saúde, que no lusco-fusco do atual governo teve a coragem de admitir este fracasso inominável da administração pública. O fato desabonador, no entanto, é ouvir do ministro a promessa do cumprimento de um dever comezinho do ente governamental, uma tarefa de ofício que jamais deveria ser reclamada pelos contribuintes da mais pesada carga tributária do mundo, quando restam escassos 190 dias para o final do mandato!

Álvares revelou ainda que o bom atendimento do SUS é direito e não um mero favor que o governo faz aos usuários. Pena que o ministro tente nos impingir uma nova realidade e se esforce, no apagar das luzes, para recobrir as entranhas do leviatã a que foi chamado a servir, ademais de florear o oceânico passivo social com o povo cada vez mais aviltado.