O fluxo de dinheiro estrangeiro alcançou em fevereiro a marca dos US$ 7,75 bilhões. O valor, de acordo com dados divulgados hoje (2) pelo Banco Central, foi o maior desde os US$ 10,331 bilhões de março de 1998. "O destaque ficou para a entrada de dólares provocada pelo aumento das operações de rolagem de dívidas contratadas no exterior por empresas privadas", comentou o economista Guilherme Loureiro, da empresa de consultoria Tendências.
Essas operações vêm sendo estimuladas pela melhora das condições de financiamento externo do País nos últimos meses. "Com o risco Brasil em queda, muitas empresas procuraram repactuar no mercado dívidas contratadas anteriormente, trocando dívida velha por dívida nova", disse um analista de mercado. Com a repactuação, elas conseguem aliviar o custo financeiro das dívidas e obter prazos mais longos de financiamento. "Boa parte da dívida trocada agora foi contratada ainda em 2002, quando enfrentamos uma grave crise econômica", destacou Loureiro.
A entrada de moeda estrangeira no País provocada pelas exportações também teve peso determinante nos dados de fevereiro O volume de venda de divisas dos exportadores aos bancos somou US$ 10,582 bilhões. Na outra ponta, as vendas de divisas dos bancos aos importadores ficaram em US$ 5,647 bilhões, restando um saldo positivo de US$ 4,935 bilhões.
Já no segmento financeiro, com o reflexo da rolagem das dívidas, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 2,815 bilhões. A última vez em que isso ocorreu foi em fevereiro de 2005, quando somou US$ 420 milhões. Em janeiro, as contratações de câmbio para exportação haviam sido de US$ 9,410 bilhões e as operações de importação haviam somado US$ 6,261 bilhões.
Segundo o BC, no mês passado o ingresso de recursos pelo segmento financeiro somou US$ 16,813 bilhões, ante saídas de US$ 13,998 bilhões. Com isso, o real só não se valorizou mais em fevereiro por causa das compras de US$ 2,8 bilhões feitas pelo BC no mercado.


