Brasília – Continua forte o ingresso de recursos externos no País. Em março, o Banco Central (BC) registrou a entrada de US$ 7,993 bilhões por meio de operações de câmbio, o maior valor desde os US$ 10,331 bilhões de março de 1998. Com o resultado, o valor acumulado no primeiro trimestre atingiu US$ 17,692 bilhões. Ou seja, em apenas três meses de 2006, o número já está a apenas US$ 1,127 bilhão dos US$ 18,819 bilhões que ingressaram no Brasil em todo o ano passado.

Março foi o segundo mês consecutivo de entrada forte de dinheiro estrangeiro no Brasil. Em fevereiro, o BC havia contabilizado US$ 7,750 bilhões. O economista Guilherme Loureiro da Consultoria Tendências, acredita que não haverá redução no ritmo dos ingressos nos próximos meses. "A nossa expectativa é de que o fluxo total no ano venha a ficar em torno dos US$ 42,6 bilhões", afirmou.

O principal fator que têm provocado aumento no fluxo de capitais estrangeiros são as exportações. Os ingressos de moeda estrangeira no país relacionados ao comércio exterior, pelos dados do BC, subiram em março pelo segundo mês consecutivo e ficaram em US$ 5,537 bilhões.

Mas a novidade, nos últimos meses, é que o ingresso de recursos do chamado segmento financeiro, que abrange operações não ligadas a comércio exterior, deixou de ser tradicionalmente negativo para se tornar superavitário. Em março, a entrada líquida de recursos pelo segmento financeiro chegou a US$ 2,456 bilhões, ante déficit de US$ 2,815 bilhões de fevereiro.

Na opinião de Loureiro, apesar da avalanche de dinheiro externo, a taxa de câmbio não tenderá a se apreciar de forma excessiva. "Teremos o BC e o Tesouro Nacional comprando parte desse fluxo de dólares", disse. A expectativa, segundo Loureiro, é de que o BC adquira pelo menos US$ 20 bilhões do total de recursos que entrarão no País este ano. "É um valor que corresponde ao total da dívida externa de curto prazo que poderá ser recomprada pelo Tesouro Nacional com recursos das reservas internacionais", afirmou.

Para Loureiro, os detentores dos títulos recomprados estão usando os recursos obtidos na venda dos papéis em aplicações nos títulos do Tesouro Nacional com prazos mais longos e indexados a índices de preços ou com taxa de juros prefixada. A operação tem ajudado a manter o forte ritmo de entradas de dólares no País nos primeiros meses do ano. "Com o risco baixo, o investidor não quer sair do Brasil e acaba indo para os títulos da nossa dívida interna", afirmou.

Além de permitir a recomposição das reservas, o movimento tem permitido ao governo melhorar o perfil da dívida interna. "Os prazos estão se alongando e ainda há uma troca de um endividamento corrigido pelo câmbio por outro atrelado a índices de preços ou com taxa de juros prefixada", disse.

Os investimentos externos em ações e os níveis altos de rolagens dos empréstimos no exterior são outros fatores que têm contribuído para o aumento do fluxo de capital externo. "As empresas têm procurado melhorar o perfil de suas dívidas fora do país", disse o economista.