Ensino fundamental de nove anos atinge um terço dos alunos

Quase um terço dos alunos de 6 a 14 anos do País já estuda em escolas com o ensino fundamental de nove anos de duração. Em vez de 1ª a 8ª séries, eles cursam do 1º ao 9º ano – a nomenclatura também mudou. São 10,6 milhões de estudantes, segundo os primeiros resultados do Censo Escolar 2006. O aumento em um ano no fundamental foi aprovado em fevereiro e o número de alunos em escolas que já aderiram à nova lei cresceu 31,5%, o que representa cerca de 2 milhões de crianças

Algumas redes já haviam mudado voluntariamente antes da norma. Mas todas as escolas particulares e públicas brasileiras terão de criar uma série a mais no ensino fundamental até o fim de 2010. Hoje, são cerca de 50 mil escolas. O objetivo da lei, que ainda confunde muitos pais de alunos, é principalmente o de incluir crianças pobres de 6 anos que estão fora da escola. Elas passam a cursar o novo 1º ano. Isso porque apenas o ensino fundamental é considerado obrigatório pela Constituição – ou seja, as redes não podem deixar de oferecê-lo a todas as crianças dessa faixa etária. Atualmente, segundo o IBGE, 28% das crianças de 4 a 6 anos estão fora da escola

Para o secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Francisco Chagas, o crescimento do fundamental de nove anos foi ‘significativo’. "A mudança não é automática, as escolas precisam preparar um projeto pedagógico e o espaço. Não é só transferir o conteúdo que era dado aos 7 anos para as de 6 anos", diz. As escolas e as redes têm autonomia para elaborar seus currículos para o 1º ano, mas o MEC tem promovido discussões e publicado documentos sobre o assunto

Os pais ainda têm dúvidas. "Prefiro que ele tenha mais tempo para brincar do que fique quatro horas com o bumbum na cadeira", diz Soraia Valdez Moreno, mãe de Gustavo, que acabou de completar 6 anos. Ela preferiu manter o filho no ensino infantil em 2007 do que transferi-lo para o fundamental numa escola maior. Em 2008, no entanto, ele irá direto para o 2º ano

Segundo educadores, se a escola infantil é de qualidade, não há problemas em manter a criança lá. A educadora da Universidade de São Paulo (USP) Silvia Colello explica que o novo 1º ano terá mesmo de incorporar características do ensino infantil. "Atividades lúdicas, de arte e de recreação precisam continuar. Assim como a experiência do mundo letrado, como ouvir histórias, escrever cartinhas", explica.

Ela enfatiza a importância de adaptar salas de aula e parte da escola para receber essas crianças menores. "A escola infantil é sempre mais alegre, mais afetiva, mais flexível. Colocar a criança de 6 anos no espaço do fundamental, cheio de regras e horários, é uma perda.

A engenheira Kumiko Kissimoto diz que aprova a fase de ‘mais responsabilidade’ em que a filha Sara, de 5 anos, entrará em 2007. "Acho bom que ela tenha mais conteúdo", diz. A menina começará o novo 1º ano com 6 anos e diz que já se sente ‘mais velha’.

O sentimento é comum a outras crianças que já cursam o fundamental. Ao criar um novo ano, todas ‘pulam’ uma série, mas só na nomenclatura. Os conteúdos do 2º ao 9º ano devem continuar os mesmos que eram dados de 1ª à 8ª série.

Grupos de WhatsApp da Tribuna
Receba Notícias no seu WhatsApp!
Receba as notícias do seu bairro e do seu time pelo WhatsApp.
Participe dos Grupos da Tribuna
Voltar ao topo
O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Ao comentar na Tribuna você aceita automaticamente as Política de Privacidade e Termos de Uso da Tribuna e da Plataforma Facebook. Os usuários também podem denunciar comentários que desrespeitem os termos de uso usando as ferramentas da plataforma Facebook.