Os consumidores finais e as usinas termelétricas teriam o fornecimento de gás natural garantido sob quaisquer circunstâncias, na visão auto-suficiente do governo verbalizada pelo Ministério de Minas e Energia. Mas o insumo está em falta e as autoridades do setor jogam a culpa sobre as distribuidoras. Em resumo, o governo meteu-se em mais uma enrascada.
A explicação do ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner, para a escassez do produto, é que as distribuidoras recebiam gás em quantidade superior à contratada com a Petrobras, porque as usinas térmicas abastecidas pela estatal de energia não estavam ativadas.
Com a necessidade da produção suplementar de eletricidade a partir das usinas movidas a gás natural, a sobra antes repassada às distribuidoras sumiu, comprimindo a oferta do combustível aos consumidores industriais, domiciliares e proprietários de veículos abastecidos com GNV. Na falta do gás, indústrias já providenciam a troca de gás por óleo diesel, os bicos dos fogões apagam e os carros ficam nas garagens.
A situação tende a azedar com a extemporânea declaração do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, sobre a defasagem do preço do gás em relação ao petróleo e demais combustíveis, potencializando o risco da explosão do consumo, antes estimulado como estratégia insuperável. Hoje não se espanta o fantasma do desabastecimento futuro. Ou seja, o preço do gás vai subir.
As termelétricas vão produzir para compensar o nível reduzido de água nos reservatórios das hidrelétricas no final do período de estiagem, gerando energia a custos praticamente iguais, além de equilibrar a oferta no sistema nacional. O governo que conserte mais essa desarrumação…


