Energia à indústria do Brasil é das mais caras do mundo

As tarifas de energia elétrica para o setor industrial brasileiro estão entre as mais caras do mundo, só perdendo para Itália, Japão e Turquia, considerando-se o universo de 32 países integrantes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Brasil não faz parte da OCDE e os preços brasileiros foram baseados na tarifa média calculada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o ano passado, convertida pelo dólar norte-americano à cotação de R$ 2,32 vigente em dezembro de 2005. As tarifas dos países da OCDE foram divulgadas pela Agência Internacional de Energia.

Pelos dados da Aneel, a tarifa para a indústria em dezembro passado estava em torno de US$ 107 por MW/h, já considerando encargos tributários médios de 35%, a média praticada no Brasil, incluindo-se os impostos estaduais (ICMS) e federais (PIS/Cofins), conforme especialistas consultados pela Agência Estado. Na Itália a tarifa industrial oscilava em torno de US$ 170,40 em 2005, a do Japão era de US$ 134,80 e a da Turquia, US$ 108,10.

Os Estados Unidos, o país mais rico do mundo e que gera a sua eletricidade basicamente a partir de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural), praticava uma tarifa equivalente a menos da metade da registrada no Brasil, oscilando em torno de US$ 52 por MW/h, praticamente igual à da França (US$ 52,60), onde a maior parcela da eletricidade é gerada a partir de usinas nucleares. No Brasil, cerca de 90% da energia é gerada a partir de hidrelétricas, o que, teoricamente, proporcionaria custos mais baixos.

Outros países europeus, como Inglaterra e Alemanha, praticavam tarifas industriais cerca de 30% inferiores às vigentes no Brasil. Na Inglaterra, as indústrias pagavam o equivalente a US$ 78,10 por MW/h; na Alemanha, cerca de US$ 75,90; e na Espanha a tarifa industrial estava em US$ 62,40. No México, a tarifa média era em torno de US$ 73,80; e na Coréia do Sul, de US$ 58,00 por MW/h. Em média, as tarifas praticadas nos países do OCDE estavam em torno de US$ 80 por MW/h.

O país com as menores tarifas para o setor industrial dentre os integrantes da OCDE é a África do Sul, com a média de apenas US$ 23,40 por MW/h. Em segundo lugar, entre os mais baratos, estava a Noruega, com a média de US$ 42,60 por MW/h. O Brasil, a Noruega, e o Canadá (com tarifa média de US$ 56,10), são os países onde há o predomínio de geração a partir de hidrelétricas. As tarifas vigentes no Brasil, porém, são praticamente o dobro das dos outros dois países.

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