Manaus – Especialistas e usuários de tecnologia da informação se encontram esta semana em Manaus para discutir as vantagens e as novidades relacionadas ao software livre. O 4º Encontro de Software Livre do Amazonas (ESLAM) ocorre nos próximos dias 25 e 26 (sexta e sábado).
Para o sub-secretário de Ciência e Tecnologia do Amazonas, Fares Abinader, o aprendizado e o desenvolvimento de atividades com software livre no estado são formas de crescimento tecnológico e podem contribuir para o abastecimento do pólo industrial de Manaus na área de informática.
"Consideramos que a produção de software é importante e fundamental para que nós possamos, inclusive, abastecer o pólo industrial de Manaus com uma mão de obra cada vez mais qualificada e numa área que temos todas as condições para sermos exportadores e não mero copiadores ou importadores", afirma Abinader.
Softwares livres são programas de computador que compreendem quatro liberdades básicas para quem decide utilizá-los: a liberdade de usar o programa para qualquer finalidade, liberdade de adaptá-lo às necessidades do usuário, liberdade de redistribuir cópias para qualquer pessoa e ainda liberdade para aperfeiçoar o programa e liberar as melhorias para usuários ou empresas.
O diferencial desses aplicativos computacionais está na divulgação de seus códigos-fontes, ou numa liguagem comparativa, na "receita" que cada um dos programas têm e que pode ser compartilhada pelos interessados. A única proibição feita aos seus usuários – pelas instituições que atuam no desenvolvimento e manutenção dos softwares – é a de torná-lo um software proprietário.
De acordo com o presidente da comissão organizadora do ESLAM, Marcelo Ferreira, a evolução tecnológica, a competitividade entre as indústrias, a possibilidade de desenvolvimento de melhores softwares e sua adequação às necessidades das empresas e produtos são aspectos importantes que estão diretamente relacionados ao uso de software livre.
Ele destaca ainda que um dos grandes benefícios está na redução de custos com o não-pagamento de licenças para uso do software livre. Além desses benefícios, Ferreira explica que são várias as possibilidades de lucro com software livre. O acesso às "receitas" dos programas de computador fomentaria a competitividade e o conhecimento mais específico entre usuários e empresas.
"É claro que com software livre, você não ganhará dinheiro com a venda de um pacote fechado, numa caixinha, como acontece no software proprietário, mas você ganha com o software livre no valor agregado aos serviços, instalação, consultoria, treinamento", explica Marcelo Ferreira.
"Quem ganha com isso é o próprio cliente, porque o software livre está disponível para todos e com possibilidade de melhorias e aperfeiçoamentos distintos nas diversas distribuições disponíveis atualmente. O ganho com software livre fomenta a competitividade e o conhecimento mais específico sobre um determinado software."
Entre os participantes do ESLAM estão Jon "Maddog" Hall, um dos fundadores do movimento software livre internacional e diretor-presidente da Linux International, o consultor jurídico do Ministério da Cultura, Sérgio Branco, consultor de Tecnologia da Informação para Software Livre no Ministério do Desenvolvimento Agrário do Brasil, Anauhac de Paula Gil.
Relatos de experiência com software livre no dia-a-dia do trabalho também serão apresentados, entre eles a da Radiobrás, por meio da apresentação da palestra Do software à notícia: notas sobre a construção do jornalismo livre, a ser ministrada pelo editor-chefe da Agência Brasil, Rodrigo Savazoni.