Manaus ? O uso do software livre no combate às desigualdades regionais está sendo debatido no 3º Encontro de Software Livre do Amazonas (Eslam), que começou hoje em Manaus e vai até sábado (15). Cerca de mil participantes ? parte deles de Roraima, Acre e Pará ? assistirão a palestras, oficinas e exposições que têm como objetivo divulgar e promover o uso do software livre na Amazônia, especialmente no Amazonas.

"Quando falamos em combater a pobreza, estamos falando também de inclusão digital. O software livre nos dá a possibilidade de apropriarmos tecnologia, de desenvolvê-la, de competir no mercado mundial. A matéria-prima para desenvolver softwares é imaginação ?e isso o latino-americano tem de sobra", argumentou Elkin Botero, diretor-administrativo de um projeto de inclusão digital da Unesco em Antioquia, Colômbia .

Softwares livres são programas de computador que podem ser gratuitamente distribuídos, utilizados e modificados (graças ao acesso ao código-fonte, que contém as informações que fazem o programa funcionar). Eles são uma resistência aos softwares comerciais, conhecidos como software-proprietário.

"Do software-proprietário somos apenas usuários, obrigados a nos adaptar a programas desenvolvidos segundo necessidades que não são as nossas. Com o software livre, comunidades indígenas da Colômbia estão desenvolvendo programas no seu idioma ? uma realidade que não é atendida pelos softwares comerciais disponíveis no mercado", contou Elkin Botero.

Victor Martinez estuda Ciência da Computação da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Manaus. Ele deve se formar neste ano e sua monografia de conclusão de curso é baseada em software livre. "Vim para o encontro pesquisar, porque conheço pouco do tema. Mas escolhi trabalhar com software livre porque está na moda, os professores da faculdade nos encaminham para isso", afirmou.

Mônica Osimar, estudante de Desenvolvimento de Sistemas do Centro Federal de Educação Tecnológica de Roraima (Cefet), também entrou em contato com o software livre na faculdade. Ela veio ao 3º Eslam em busca das novidades do setor. "A grande vantagem que eu vejo no software livre é que, além de ser gratuito, é mais leve. Então quem não tem um computador tão moderno não fica prejudicado", avaliou.

O 3º Eslam é uma iniciativa da organização não-governamental Comunidade Sol Software Livre, sediada em Manaus. Ele está sendo realizado em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia, do governo do Amazonas, e a Secretaria da Tecnologia da Informação, da prefeitura de Manaus, além do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).