Empréstimo de Valério a Azeredo entra no relatório da CPI dos Correios

O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou hoje que vai incluir, em seu relatório final, o empréstimo de R$ 8,35 milhões feito pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para financiar, em 1998, a campanha à reeleição ao governo de Minas Gerais de Eduardo Azeredo (PSDB). Segundo Serraglio, o relatório final da CPI dos Correios trará um panorama com todos os depoimentos, como o de Claúdio Mourão, ex-tesoureiro da campanha do tucano.

"Não tenho dúvidas de que esse episódio será incluído no relatório final", disse o relator. Integrantes do PT na CPI criticaram o relatório parcial apresentado ontem (10) por Serraglio e o sub-relator de movimentação financeira, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). Os petistas alegaram que o relatório foi tendencioso por não abordar o caso do hoje senador Eduardo Azeredo. "No relatório parcial foram analisadas as contas de Marcos Valério desde 2001. Quanta coisa não colocamos lá! Mas se quiserem vamos incluir que ouvimos o Claúdio Mourão. Fatos não se escondem", afirmou Serraglio. "O Azeredo é um troféu que o PT quer ter para bater no PSDB. Os empréstimos ao PSDB não constam da contabilidade de Marcos Valério. Além disso, os dados com a quebra de sigilo referentes a 1998 ainda não chegaram à CPI", observou Fruet.

A menção ao episódio protagonizado por Azeredo na campanha de 1998, no relatório final da CPI dos Correios, está sendo articulada por lideranças governistas. A idéia é incluir no relatório o depoimento de Claúdio Mourão, que confessou ter feito caixa 2 para a campanha à reeleição de Azeredo, mas garantiu que o então governador de Minas não tinha conhecimento. "Sou a favor que inclua o caso do Azeredo no relatório final. Tudo o que passou pela CPI tem de ir para o relatório", defendeu o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto, sub-relator dos fundos de pensão.

No relatório parcial, que foi apresentado ontem e deverá ser votado daqui a 10 dias na CPI dos Correios, Serraglio e Fruet pediram o indiciamento do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e de Marcos Valério por tráfico de influência, crime de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, crime eleitoral por uso de caixa 2 e improbidade administrativa. Em 52 páginas, o relatório acusa Delúbio e Valério de desviarem recursos públicos para financiar o PT e integrantes da base aliada.

O documento afirma ainda que é "uma farsa" a tese defendida pelos aliados do Palácio do Planalto, de que os recursos recebidos pelo PT foram fruto de empréstimos de R$ 55 milhões feitos pelas empresas de Valério. O relatório constata também que os recursos distribuídos ao PT e a aliados saíram de uma conta de Valério no Banco Rural. O relatório lista 31 empresas e pessoas que depositaram R$ 72,3 milhões nessa conta, no período de 2003/2004. Desse montante, segundo informaram os relatores, R$ 46,6 milhões foram repassados por Valério a pessoas indicadas por Delúbio.

No relatório parcial, Fruet e Serraglio também listaram o nome das 120 pessoas, as quais Valério afirma ter repassado recursos que totalizam R$ 47,7 milhões. Os relatores observaram ainda que a SMP&B, a DNA e a Grafitti – três empresas que têm Valério como sócio – contraíram uma dívida com os empréstimos obtidos junto ao BMG e ao Rural que corresponde a 55,87% de sua receita bruta de 2003 e 2004, segundo dados fornecidos à CPI pela Receita Federal. O documento levanta também suspeitas sobre a atuação das diretorias do BMG e do Rural na concessão dos empréstimos para as empresas de Valério.

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