As empresas vão cobrar do governo os prejuízos que sofreram com a greve dos controladores de vôo, que gerou um colapso do transporte aéreo e deixou aviões no chão desde o início da noite de sexta-feira, por cerca de dez horas. Os prejuízos do primeiro dia de caos foram de pelo menos R$ 8 milhões, conforme estimativa preliminar do Sindicato Nacional de Empresas Aéreas (SNEA), que também alega que a imagem do setor sai prejudicada.

O diretor técnico do sindicato, Ronaldo Jenkins, disse ontem que é possível imaginar que o prejuízo causado foi de pelo menos o dobro da perda média diária que as empresas sofreram com os atrasos provocados pela chamada greve branca, iniciada no fim de outubro. No dia seis de novembro, o setor encaminhou ofício à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), estimando que os prejuízos diários eram da ordem de R$ 4 milhões.

No ofício, as empresas pediram ressarcimento pelos danos, o que voltarão a fazer dessa vez. Naquela época, contudo, o movimento dos controladores gerou, principalmente, uma série de atrasos e de constrangimento aos passageiros. Dessa vez, as decolagens dos aeroportos fora interrompidas desde as 18 horas de sexta-feira. O problema durou pelo menos até o meio da madrugada de sábado, estima o diretor do sindicato. Num efeito cascata, o problema acarretou atrasos e cancelamentos ontem.

A coincidência é que na última segunda-feira o presidente do Snea, José Marcio Mollo, reuniu-se com o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, justamente para tratar dos prejuízos causados com a greve branca de outubro. Saiu do encontro com a promessa de que a agência montaria um grupo de trabalho para estudar a metodologia de cálculo dos prejuízos causados anteriormente.

As empresas alegam que sofrem agora com gastos como realocação de passageiros em hotéis, pagamento de tarifas aeroportuárias além do previsto, combustível adicionalmente gasto pelos jatos que demoraram a receber liberação para pousar e pelo fato de os aviões ficarem parados. De maneira simples, os jatos são equipamentos que têm um preço de aluguel elevado e, segundo as empresas, devem operar ao máximo para equilibrar gastos e gerar lucro.

"O avião é uma ferramenta de receita. Quando está parado deixa de gerar receita e acumula prejuízo", afirma Jenkis. Uma fonte do setor do setor conta que o aluguel de um jato doméstico de médio porte sai por US$ 200 mil ao mês, o equivalente a R$ 410 mil. A expectativa do diretor é que o movimento se normalize até o fim da tarde de domingo. Ainda assim, no setor acredita-se que apenas amanhã a operação voltará ao normal.

Ontem, desde o início da manhã, uma força tarefa de executivos da TAM, encabeçada pelo próprio presidente Marco Bologna, deu plantão na sede da empresa, em São Paulo, trabalhando para recolocar a operação nos eixos, depois da greve dos controladores de vôo. A empresa estima que cerca de 10 mil passageiros deixaram de embarcar nos vôos afetados pela greve. Eles começaram a ser reacomodados nos vôos deste sábado.

O grupo era composto por pelo menos 15 pessoas. Todos os diretores foram convocados para trabalhar no fim de semana. As previsões iniciais da empresa são de que o atendimento volte à normalidade até a noite de ontem ou no máximo durante o domingo.