Empresários temem mais a vitória de Serra que a do “novo Lula”

Brasília – O empresariado brasileiro é "simpático" ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e "teme" mais o prefeito José Serra (PSDB) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva". Dessa forma, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), resumiu hoje (20) a visão dos industriais sobre os principais personagens da corrida presidencial de 2006. A aversão a Serra manifestada por uma parcela substancial do empresariado, explicou Monteiro Neto, deve-se à percepção de que, na Presidência, ele tenderia a adotar uma política mais "intervencionista" na economia que seus concorrentes.

"Setores da comunidade empresarial acreditam que Serra é mais intervencionista. O mercado tem mais medo dele que do ‘novo Lula’ que emergirá na campanha eleitoral", afirmou Monteiro Neto durante o almoço de confraternização da CNI em que foram expostas as perspectivas da entidade de crescimento de 3,6% na atividade econômica em 2006. "Mas eu vejo o Serra de outra forma. Ele age com racionalidade na economia. Não o vejo desafiando essa racionalidade", ponderou.

Na sua avaliação, as perspectivas positivas da confederação sobre o desempenho da economia brasileira em 2006 somente serão "turvadas" se surgir um candidato com reais chances de vitória e que adote um discurso mais reformista na área econômica. Se a polarização se mantiver entre o PT de Lula e o PSDB, seja de Serra ou de Alckmin, o risco de turbulência seria menor porque as agendas macroeconômicas de ambos os partidos são convergentes.

"Com que autoridade o PSDB vai atacar a política econômica?", questionou, ao destacar a continuidade da orientação adotada no governo Fernando Henrique Cardoso durante a gestão de Lula.

Monteiro Neto afirmou ainda que a dificuldade, para a candidatura de Lula, está na construção de uma coalizão que possa confirmar para o eleitorado sua disposição de realmente governar. Uma saída bem provável, em sua opinião, seria a aliança entre o PT e o PMDB, por mais que esse partido alardeie neste momento que terá uma candidatura própria em 2006. Mas o PMDB, ressaltou ele, não concordaria em trocar seu apoio por dois ou três ministérios. Desta vez, tenderia a exigir a co-participação integral no governo.

Para o presidente da CNI, o possível lançamento do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho como candidato peemedebista é prejudicada pelo seu atual desempenho nas pesquisas de opinião. "O Lula está de olho no PMDB, e o PMDB está de olho nas pesquisas", afirmou. O presidente da República ainda conta, na sua avaliação, com o apoio de uma parcela relevante do empresariado – aquela que obteve "ganhos" durante esses três anos de gestão e que considera seu projeto de governo "equilibrado e de bom senso".

"A política monetária é hostil ao setor privado e contrária ao crescimento econômico há muitos anos. No governo FHC, a Selic chegou a mais de 40% e a carga tributária começou a crescer", defendeu Monteiro Neto. "No governo Lula, decidiu-se prorrogar o prazo de recolhimento de tributos federais e adotar medidas de estímulo à construção civil. Foram ainda criados o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) e o Conselhão (CDES, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). Por que ele não teria esse apoio?", completou.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google
Voltar ao topo
O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Ao comentar na Tribuna você aceita automaticamente as Política de Privacidade e Termos de Uso da Tribuna e da Plataforma Facebook. Os usuários também podem denunciar comentários que desrespeitem os termos de uso usando as ferramentas da plataforma Facebook.