Rio – Impulsionada por uma demanda forte, a indústria deu sinais de reaquecimento no primeiro trimestre, mas agora espera um segundo trimestre com crescimento modesto. É o que mostra a 159.ª Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação, referente ao primeiro trimestre e divulgada hoje (28) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo a FGV, os empresários estão otimistas com o cenário atual, mas são realistas quando formam suas previsões para o curto prazo. O consenso entre os industriais é de que a recuperação do setor deve se dar mesmo a partir do terceiro trimestre.

Iniciada em 1966, a sondagem é trimestral e abrange 933 empresas, pesquisadas entre 31 de março e 25 de abril. Segundo o coordenador de Análises Conjunturais da FGV, Aloisio Campelo, em todos resultados da pesquisa referentes às avaliações sobre a situação presente é possível notar a influência benéfica do aumento na demanda. "Foi uma combinação de fatores (o bom cenário na situação presente). Mas é claro que a demanda é um fator importantíssimo nesse quadro todo", disse.

Em relação à sondagem anterior, referente ao quarto trimestre do ano passado, subiu de 8% para 18% a parcela dos entrevistados que consideram como forte a demanda atual. Além disso, caiu de 22% para 16% a fatia dos pesquisados que classificam como fraca a demanda atual.

O bom desempenho da demanda também influenciou outros quesitos da sondagem que tratam de cenário atual. Subiu de 2% para 4% o porcentual dos entrevistados que acham insuficiente o nível de estoques atual. Também cresceu de 16% para 27% a parcela dos que classificam como boa a situação atual dos negócios.

Mas o bom cenário da situação atual não se repetiu nas previsões para o segundo trimestre. Da sondagem anterior para a anunciada hoje, caiu de 55% para 51% a parcela dos entrevistados que esperam aumento na demanda no segundo trimestre. Além disso, recuou de 58% para 54% a fatia dos pesquisados que estimam alta na produção no período de abril a junho. Em compensação, as estimativas a médio prazo estão otimistas. A sondagem mostra que subiu de 50% para 55% a fatia dos que esperam melhora nos negócios, nos próximos seis meses. Para Campelo, isso combina com as previsões de crescimento da economia, que projetam um cenário melhor para o terceiro trimestre na comparação com o segundo trimestre.

Dólar 

O câmbio foi um dos fatores mais lembrados como obstáculo à expansão da produção entre os empresários. Segundo Campelo, a crescente substituição de importações, devido à valorização do real ante o dólar, tem derrubado os negócios de setores têxtil, de vestuário e calçados. Com o dólar baixo, os importados invadem o mercado interno destes setores.

Entre os fatores limitativos citados, o motivo mais mencionado foi o nível da demanda, com 23% dos entrevistados. Entretanto, esse resultado é positivo, visto que a parcela dos pesquisados que apontavam a demanda como fator limitativo à produção era de 29% na sondagem anterior. Em segundo lugar na pesquisa, para essa pergunta, ficou o quesito "outros obstáculos", com 9% de participação dos entrevistados. Dentro deste porcentual de 9%, a valorização cambial foi a mais lembrada.