Brasília (AE) – A CPI dos Correios descobriu hoje (9) que a Procid Invest Participações e Negócios S/A, do banqueiro Edemar Cid Ferreira, depositou R$ 40 mil, em 23 de junho de 2004 na conta do PT no Banco do Brasil. Edemar era dono do Banco Santos, que sofreu intervenção do Banco Central em novembro do ano passado, e tinha bom trânsito junto ao governo de Lula da Silva e ao PT.

Na semana passada, em depoimento à CPI do Mensalão, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) alertou que a lista das instituições financeiras que "micaram" é fundamental para se averiguar o destino de dinheiro desviado dos fundos de pensão. Além disso, segundo Jefferson, as agências de publicidade de Marcos Valério Fernandes de Souza teriam perdido muito dinheiro no Banco Santos.

Em meados do ano passado, ocasião do depósito na conta do PT, os analistas do mercado financeiro comentavam que o Banco Santos estaria passando por dificuldades. Na época, o banco era o 21º maior do País, com cerca de R$ 6 bilhões em ativos e 303 funcionários.

Além de ser dono de agência de publicidade, Marcos Valério também era conhecido por tentar intermediar negociações de instituições financeiras com pendências junto ao Banco Central. Marcos Valério chegou a se reunir algumas vezes com a cúpula do BC para tentar resolver o caso do Banco Econômico e do Banco Mercantil de Pernambuco, ambos liquidados pelo Banco Central.

A Procid Invest Participações e Negócios S/A era uma das empresas do grupo do Banco Santos e, até dezembro de 2003, se chamava ERL Factoring Ltda. O nome da empresa que depositou R$ 40 mil na conta do PT é muito parecido com o da Procid Participações e Negócios S/A, a holding que controlava o Banco Santos e era o braço financeiro dos negócios de Edemar Cid Ferreira.