Rio (AE) – O emprego industrial recuou em agosto (-0 1%), na comparação com julho, enquanto a folha de pagamento real do setor reagiu com aumento de 2,2%, após dois meses consecutivos de queda. Para a economista Isabela Nunes, da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a "tendência decrescente" na ocupação nas fábricas é resultado da desaceleração no ritmo de produção.

"Houve uma perda de ritmo na produção industrial do segundo para o terceiro trimestre e isso está se refletindo no emprego", explica Isabela. Na comparação com agosto de 2004, a ocupação no setor cresceu 0,3%, o que ela avalia como estabilidade. No ano, o emprego no setor acumula alta de 1,9% e, em 12 meses, de 2,6%. "Ainda estamos melhores do que no ano passado, que foi um ano bom para o mercado de trabalho industrial", sublinhou a economista.

Isabela disse que o emprego industrial não cresce com mais força porque os setores que vêm proporcionando mais ocupação, como alimentos e bebidas e meios de transporte, não são os maiores empregadores. Segmentos mais intensivos em mão-de-obra registraram queda na ocupação, como calçados, com recuo de 16,1% no número de ocupados em agosto, ante igual mês do ano passado.

Para os economistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em documento de análise dos dados, "esse baixo dinamismo do mercado de trabalho do setor foi uma das principais decorrências da política de juros adotada desde o último trimestre do ano passado". Além disso, para o Iedi, o cenário "está refletindo também as dúvidas empresariais sobre a capacidade de sustentação de uma recuperação da produção industrial, a qual já ocorre desde março, mas que até agora tem sido marcada pela instabilidade".

Para o Iedi, o câmbio atual, com aumento de custos para exportações, também está afetando as contratações na indústria. Segundo Isabela, para checar qual será a tendência do emprego daqui para frente, será preciso observar os próximos resultados da produção para ver "em qual movimento a indústria vai se desvencilhar da atual estabilidade", se para crescimento ou queda.

No caso da folha real de pagamento, Isabela frisou que o crescimento é todo creditado ao comportamento dos preços, com queda da inflação, que proporcionou ganhos para os trabalhadores. Segundo ela, como não há aumento de estoques de ocupados, o emprego não seria suficiente para aumentar a folha.

Ainda de acordo com Isabela, o aumento da folha em agosto, ante julho, não foi suficiente para reverter a queda acumulada de 2,5% em junho e julho. Na comparação com os mesmos meses do ano passado, os resultados dos salários na indústria continuam positivos: 5,3% ante agosto de 2004; 4,1% no acumulado de janeiro a agosto e 3,3% em 12 meses.