Inovação é a palavra de ordem nas empresas. Em tempos de crise então, ela se torna pré-requisito para sobrevivência do negócio. O patamar médio de inovação das indústrias do Paraná é 5, segundo medição da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). O ideal é torno de 7.

“Não é uma nota. Nós pelo menos não vemos assim. O importante é levar a informação e disponibilizar os métodos para que as empresas possam se desenvolver e melhorar seus sistemas”, explica Augusto Cesar Machado, coordenador da Bússola de Inovação e Sustentabilidade da Fiep.

A Bússola da Inovação é um instrumento que tem o objetivo de incentivar o processo de inovação na indústria. Através dela, as empresas participam de uma pesquisa online. Ao final do processo, o participante recebe um diagnóstico personalizado de inovação.

Referência

O ganho nesta iniciativa pode parecer abstrato, mas não é. E um exemplo é o caso do Instituto C.E.S.A.R – Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, em Curitiba, especializado em realizar a transferência auto-sustentada de conhecimento em tecnologias da informação da universidade para a sociedade.

Não seria chover no molhado levar o Instituto C.E.S.A.R, que trabalha essencialmente com inovação, para a Bússola? No entender de Cláudio Navarro, gerente de Negócios da instituição, não! Depois de participar da Bússola, os ganhos foram evidentes. “Nós passamos a ter o entendimento de como a empresa teria que agir para suprir as demandas dos nossos clientes. Passamos a entender melhor a posição deles e o que fazer para ajudá-los a crescer”, resume Navarro.

Cláudio Navarro: Bússola nos posicionou melhor no mercado./Foto: Agência Fiep

Além disso, o mercado passou a enxergar a instituição de outro modo. “Melhoramos na questão nas competências das pessoas e identificamos melhor o que teríamos que ofertar para a região. Agora estamos melhor posicionados. Há dois anos não éramos muito conhecidos e agora somos mais procurados, as empresas nos referenciam”, avalia Cláudio Navarro.

Consultoria de graça

Aos poucos, o empresariado paranaense parece que está entendendo o espírito da coisa. Até agora mais de 2 mil empresas já participaram da Bússola da Inovação. “O primeiro ponto positivo é que a empresa ganha uma consultoria imediata e gratuita. Consultorias cobram caro. Só para citar um exemplo, uma empresa de União Vitória desembolsou R$ 15 mil por um parecer sobre qualidade”, exemplifica Augusto César Machado, coordenador do projeto.

Não é só no universo de empresas participantes que a Bússola de Inovação opera transformações. A Fomento Paraná alterou uma série de exigências para obtenção de empréstimos, baseada nas dificuldades que os empresários pontuaram nas respostas dos questionários do programa.

Semente da inovação

Fonte: Fiep

Mas não fica só nisso. Um trabalho de fôlego como este tem ampla repercussão no negócio quando seguido à risca. “O segundo ponto que o empresário observa é a redução de custos. Além disso, ao implantar as novas sistemáticas haverá ganho do valor agregado, satisfação dos consumidores e clientes, fortalecimento de parcerias c,om o fornecedor, melhoria de um produto ou processo já existente”, enumera Augusto.

Aí fica fácil perceber porque o projeto está tendo boa adesão junto ao empresariado. O sucesso da Bússola é tanto que já rompeu as fronteiras do Estado. “Exportamos este sistema para a Federação das Indústrias do Ceará”, comemora o coordenador.
Embora seja um programa de médio e longo prazo, o seu objetivo é ambicioso: plantar uma semente da inovação e melhoria do desenvolvimento e assim mudar a cultura empreendedora.

Sustentabilidade

Não é uma tarefa fácil mexer com hábitos arraigados, principalmente porque na outra ponta da inovação, o programa da Bússola também abraça a sustentabilidade. “Este é um tema mais espinhoso poucas empresas se cadastraram. A nossa meta é chegar a 500”, compara Augusto. Assim como no caso da inovação, o empresário que se cadastrar para tornar o seu negócio sustentável receberá um diagnóstico ao final do processo explicando o que fazer para atingir esta meta. “O objetivo é orientar os empresários serem ambientalmente corretos, socialmente responsáveis e economicamente viáveis”, comenta Augusto.

Confiança

Embora as vantagens de participar da Bússola da Inovação sejam amplas, muitas empresas ainda relutam em revelar seu modo de trabalhar em questionários. Augusto César Machado explica que a obtenção do nível de confiabilidade do programa só foi alcançada graças à confidencialidade que cerca o processo. “O nome da organização não aparece em nenhum momento”, assegura.

Mas se preserva os participantes, os consutores também cobram confiabilidade de quem participa. Todas as as informações prestadas nos questionários pelas indústrias são verificadas para ver se correspondem à realidade. No final das contas, todo mundo sai ganhando: a Fiep ao obter um panorama realista das indústrias e as empresas ao receber um diagnóstico preciso para orientar as suas ações rumo a uma nova realidade, a um novo Norte.