O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luís Carlos Guedes Pinto, se comprometeu a solicitar empenho do seu colega da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, na liberação de uma emenda parlamentar no valor de R$ 4 milhões a serem utilizados no projeto de pesquisa do uso do xisto na produção de insumos para a agricultura.

Pela sua origem orgânica e pela presença em quantidades consideráveis de macro e micronutrientes, além de outros elementos de interesse, a água de xisto, o calxisto, os finos de xisto e o xisto retortado apresentam potencial a fim de serem usados como matéria-prima formulação de novos insumos para a agropecuária brasileira.

O Projeto Xisto Agrícola está sendo desenvolvido pela Embrapa Clima Temperado em parceria com a Petrobras e com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O projeto de emenda parlamentar já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e, segundo o deputado federal Eduardo Sciarra, aguarda liberação do Ministério da Ciência e Tecnologia.

O xisto é uma rocha de origem sedimentar formada há 250 milhões de anos pela consolidação de sedimentos, especialmente algas e animais marinhos, incluindo fósseis de mesossauros. Segundo a Embrapa, as pesquisas estão direcionadas para a caracterização química dos subprodutos do processamento do xisto, a formulação de novos insumos agrícolas, a avaliação da eficiência agronômica e da segurança ambiental e alimentar do uso desses insumos em diferentes sistemas de produção e regiões.

Durante reunião com o ministro Guedes em Brasília, o chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, João Carlos Costa Gomes, disse que o uso do xisto na agricultura poderá reduzir a dependência brasileira por insumos importados. ?O xisto agrícola tem potencial para diversificar a oferta de insumos e fertilizantes orgânicos?, acrescentou.

Entre os experimentos que estão sendo realizados pelo programa está o efeito da água de xisto na germinação de sementes de feijoeiro. Segundo os pesquisadores, as sementes tratadas com água de xisto se desenvolveram mais rapidamente.

A expectativa dos pesquisadores é de que até dezembro de 2008 comece a entrar em funcionamento a primeira fábrica de produção de insumos desenvolvidos a partir de subprodutos do xisto. Até agora, a Petrobras investiu R$ 10 milhões no projeto. Visando amparar empresas interessadas em desenvolver produtos do xisto foi criada a Incubadora Tecnológica na Unidade da Petrobras de São Mateus do Sul, por meio de parceria com empresas públicas e privadas.