O empresário Luiz Antonio Vedoin reafirmou nesta terça-feira (7), em depoimento no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que teria havido acerto para pagamento ao deputado Paulo Feijó (PSDB-RJ) de uma propina de 10% do valor de emenda encaminhada por esse parlamentar em favor do esquema da máfia dos sanguessugas. Vedoin é um dos donos da Planam, empresa acusada pela montagem do esquema da fraude com ambulâncias superfaturadas.

O empresário afirmou também que teria havido envolvimento do deputado João Magalhães (PMDB-MG) com a máfia, relacionado ao pagamento de R$ 42 mil referente a um veículo. O empresário disse que o suposto acordo com Magalhães teria sido fechado por sei pai, Darcy Vedoin, o outro dono da Planam. Antes de começar o depoimento, no início da tarde, Vedoin se recusou a assinar termo de compromisso que o tornaria testemunha do caso e o obrigaria a falar a verdade.

O advogado de defesa de Vedoin, Oto Medeiros, pediu que o depoimento fosse reservado, mas os deputados decidiram, em votação, que seria aberto. No entanto, o empresário está colaborando no relato do envolvimento de parlamentares no esquema, mas se recusou a responder a uma pergunta do deputado Fernando Coruja (PPS-SC) sobre o envolvimento de funcionários do Ministério da Saúde em supostos casos de recebimento de propina. Ele afirmou que a pergunta não estava relacionada ao tema em discussão, que são as denúncias de envolvimento de parlamentares no esquema.

Por ser do PMDB, o deputado Mauro Benevides (CE), relator do Conselho de Ética, declarou-se impedido de assumir a relatoria do processo contra Wellington Fagundes (PL-MT), também acusado de envolvimento no esquema, porque Fagundes foi eleito por uma coligação do PMDB com o PL. O depoimento de Vedoin servirá para a instrução de todos os 67 processos sobre sanguessugas que estão no Conselho de Ética.