Depois de dez meses de especulações e silêncio dentro e fora de Cuba sobre a saúde do presidente Fidel Castro, o líder cubano revelou detalhes de sua enfermidade e de sua recuperação, que foram bem recebidos por seus compatriotas. Nas ruas da ilha caribenha, um artigo de opinião de Fidel que foi divulgado na noite de ontem em que ele também aborda sua condição física era comentado por populares que o liam na imprensa. "Esclarece ao povo seu estado de saúde, algo muito necessário para mantermos o entusiasmo, a fé e todo o trabalho que necessita nossa revolução", afirmou Domingo Magranet, um técnico.

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Perguntado se o presidente de 80 anos algum dia retornará ao poder, Magranet respondeu: "É uma pergunta difícil de responder, ele (Fidel) coloca em sua reflexão que existe uma questão de idade, mas se fosse pelo desejo do povo ele voltaria por toda a vida". Fidel já escreveu 11 artigos do tipo nos últimos dois meses, a maioria deles criticando planos apoiados pelos Estados Unidos de usar cultivos para a produção de biocombustíveis. Mesmo o artigo publicado hoje, "Para o surdo que não quer ouvir" começa com uma análise sobre a produção mundial de grãos antes de passar a comentar sobre a enfermidade que o afastou da vida pública desde julho passado.

Fidel revelou que foi submetido não apenas a uma cirurgia, mas a "várias", já que as primeiras não tiveram sucesso.

"Dependi por muitos meses de tubos e cateteres pelos quais recebia parte importante dos alimentos… Hoje recebo por via oral todo o que minha recuperação requer", explicou o presidente. Ele garantiu estar agora fora de perigo e que mantém o peso de 80kg. "Nenhum perigo é maior do que os relacionados com a idade e uma saúde da qual abusei nos tempos difíceis", comentou Fidel, lendário por suas parcas horas de sono, suas extensas jornadas de trabalho e por ter sobrevivido a cerca de 600 atentados contra sua vida.

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Fidel não sinalizou quanto tempo mais precisará para se recuperar plenamente nem se retomará as funções presidenciais que delegou a seu irmão Raul, de 75 anos, em 31 de julho. Na verdade, ele não parecia ter pressa, desfrutando o papel de velho estadista e aproveitando o tempo para escrever os artigos, que chamou de "Reflexões do Comandante em Chefe". A vida na ilha pouco mudou depois que Fidel deixou provisoriamente a presidência para seu irmão e ministro da Defesa, Raúl Castro. O presidente interino carece do carisma de seu irmão, mas tem a reputação de ser um excelente administrador. Muitos cubanos parecem ter aceitado nos últimos meses que seu "líder máximo" é mortal e talvez não volte a ocupar a presidência do país.

A condição de saúde de Fidel e a doença que o acomete são segredos de Estado, apesar de funcionários do governo assegurarem que ele se recupera bem. Acredita-se que Fidel padeça de uma doença que forma cavidades no intestino, provocando inflamações e sangramentos. Em janeiro, o jornal espanhol El País publicou uma reportagem segundo a qual o estado de Fidel era "muito grave" depois de três cirurgias fracassadas. Na ocasião, o governo cubano negou o teor da reportagem.

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