O comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, negou hoje, em entrevista à Rádio Central Brasileira de Notícias (CBN) que tenha cometido abuso de poder para embarcar num avião da TAM, no Aeroporto Internacional de Campinas, em Viracopos, no interior de São Paulo, com destino a Brasília, na Quarta-Feira de Cinzas (01). O aparelho tinha iniciado o procedimento de decolagem, mas teve de parar e voltar ao ponto de embarque para pegar Albuquerque e a mulher dele, atrasando a viagem dos demais passageiros.

Albuquerque argumentou que precisava voltar à capital federal por causa de um compromisso inadiável. O comandante do Exército afirmou que foi ao aeroporto internacional e cumpriu todos os prazos previstos pela empresa. "Eu até confirmei a passagem com 12 dias de antecedência porque não poderia faltar ao meu compromisso na quarta-feira à tarde. Ao chegarmos lá, notamos que estava operando o chamado overbooking", afirmou.

Albuquerque disse que um auxiliar fez o check-in com 1 hora e 15 minutos de antecedência. "Minha bagagem foi etiquetada e recolhida. Depois, recebemos a bagagem de volta, sob a alegação de que, em razão do overbooking, o vôo estava lotado e eu não poderia embarcar." O comandante explicou que procurou outra companhia, mas não encontrou vagas. Assim, voltou ao balcão da TAM em busca de alternativa.

"Como as soluções apresentadas não eram viáveis, eu procurei os órgãos responsáveis pelo aeroporto e relatei meu caso. Depois que fiz minhas colocações, permaneci no aeroporto aguardando uma solução." Albuquerque afirmou que não sabia quais seriam os procedimentos da empresa para resolver a questão. "Soube, depois, que ela (a TAM) tentou comprar bilhetes de outros passageiros para que abdicassem da viagem. Eu não pedi isso, foi a própria companhia que deu essa solução. Também não sabia que o avião já estava se preparando para a decolagem."

Ele disse que só foi informado de que havia dois lugares no avião e ele e a mulher deveriam embarcar. "Portanto, não houve por parte do general Albuquerque nenhuma atitude autoritária determinando que a aeronave parasse e, de maneira forçada, voltasse. Isso não ficou claro e me deixou triste porque esse não é o meu comportamento nem o dos outros militares "

Quanto à reação dos outros passageiros, o general confirmou que houve mesmo um constrangimento e nem poderia ser diferente. "Eu me coloco no lugar desses passageiros. Houve um certo atraso na decolagem do avião e eu entendo a situação deles Agora, o que também não estava certo era eu não poder viajar e perder meu compromisso", argumentou. "Por tudo isso, eu teria de me deslocar de Viracopos para outro aeroporto, Congonhas (na capital paulista) ou Guarulhos (na Grande São Paulo). A outra solução era pegar outro vôo no dia seguinte, mas, em ambos os casos, eu não atenderia ao meu compromisso."

Hoje, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) culpou o Departamento de Aviação Civil (DAC) pela paralisação do vôo. "A partir do momento em que a porta do avião se fecha, a responsabilidade deixa de ser da Infraero e passa a ser do DAC. Se ele achou melhor o avião voltar, nós obedecemos", afirmou o superintendentes de Comunicação da Infraero, Nunzio Brigúlio. O órgão informou que o caso é inédito. O DAC, porém, garantiu que o procedimento é comum e todo passageiro que se sentir preterido pela companhia aérea, pode fazer o mesmo que o general, reclamando a um fiscal do departamento.