Após oito horas de depoimento à Polícia Federal, o empresário Marcos Valério negou as acusações de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal. "Nunca lavei dinheiro. Meu dinheiro tem origem, os empréstimos bancários, e destino, que são as pessoas que estão na lista", disse em entrevista sobre o documento que apresentou à polícia contendo os nomes de pessoas que sacaram dinheiro de suas contas.

O empresário explicou que o pagamento feito ao publicitário Duda Mendonça foi realizado "aqui no Brasil, de acordo com orientações que me foram dadas, na época, pela Zilmar [Fernandes, sócia de Duda Mendonça]".

Em depoimento à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) dos Correios, o publicitário havia afirmado que Valério teria sugerido a ele a abertura de contas bancárias no exterior para "facilitar" o recebimento de aproximadamente R$ 10 milhões.

Após o depoimento, Valério voltou a dizer que "eu não tenho condições de autorizar ou mandar alguém criar conta, isso é especulação e não condiz com a verdade". E revelou ter pago R$ 15,5 milhões a Duda Mendonça no Brasil, "em cheques que foram sacados da minha conta". Marcos Valério negou ainda ter acionado doleiros para fazer o serviço.

O empresário voltou a afirmar também que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, não tinha conhecimento do seu relacionamento com o PT e com o ex-tesoureiro Delúbio Soares: "Eu nunca tive contato com o presidente, nunca tive qualquer informação que me levasse a crer que o presidente sabia disso. O presidente não tem nada a ver com isso".

Sobre operações de pagamentos fora do país indicadas pelo PT, reafirmou: "O PT nunca me solicitou envio de recursos para o exterior".

E em relação à empresa Bônus-Banval, Valério disse que não tinha interesse em comprá-la, como afirmou o dono da empresa Enivaldo Quadrado em depoimento à polícia e à CPI dos Correios. As transações por meio da corretora, esclareceu, "foram feitas a pedido de Delúbio Soares".