Menos frio, mais chuva

Adeus ao frio? El Niño deve transformar inverno do Paraná em corredor de umidade e calor

Inverno menos rigoroso e chuvas intensas no 2º semestre é o que o El Niño deve provocar em nova passagem pelo Paraná. Foto: Geraldo Bubniak/AEN
Inverno menos rigoroso e chuvas intensas no 2º semestre é o que o El Niño deve provocar em nova passagem pelo Paraná. Foto: Geraldo Bubniak/AEN

O Paraná deve sentir nos próximos meses os primeiros efeitos de um fenômeno climático que costuma alterar profundamente a rotina dos moradores do Sul do Brasil. Com previsão de evolução para uma condição forte a muito forte entre a primavera e o verão, o El Niño já começa a mudar o comportamento do clima no Estado e acende um alerta para temporais mais intensos, chuvas persistentes, alagamentos e deslizamentos.

A expectativa dos meteorologistas é que o fenômeno ganhe força ao longo do inverno e atinja o pico no segundo semestre. Na prática, isso significa menos ondas de frio intenso e aumento gradual da umidade e das temperaturas. “O El Niño é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o que favorece maior transporte de calor e umidade para o Sul do País. Historicamente, isso provoca mais chuva no Paraná”, explica o meteorologista do Simepar Reinaldo Kneib.

Segundo ele, o cenário atual já aponta para uma configuração entre forte e muito forte. “Os impactos mais importantes para o Paraná serão chuva acima da média e temperaturas mais elevadas”, afirma. 

A previsão do Simepar indica que todas as regiões do Estado devem registrar volumes de chuva acima da média histórica, especialmente na metade Sul. O comportamento, porém, não será de chuva constante, mas de eventos mais persistentes e concentrados.

“Podemos ter vários dias consecutivos de precipitação, o que aumenta o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos”, diz Kneib. Segundo ele, a primavera tende a ser o período mais crítico, por já concentrar tempestades severas.

O meteorologista também destaca que o inverno de 2026 deverá ser diferente do registrado no ano passado. “Será um inverno mais ameno e úmido. Em termos médios, as temperaturas podem ficar entre meio grau e um grau acima da média”, explica.

El Niño no Paraná preocupa cidades vulneráveis

As projeções colocaram a Defesa Civil do Paraná em estado de atenção. O órgão intensificou orientações aos municípios que historicamente sofrem com enchentes, enxurradas e movimentos de massa.

De acordo com o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig, a prioridade é ampliar as ações preventivas antes da chegada dos períodos mais críticos. “A preparação está sendo feita em todo o Estado, especialmente nos locais que tradicionalmente sofrem com enchentes ou deslizamentos”, afirma. Entre as medidas reforçadas estão revisão de planos de contingência, atualização de áreas de risco, desobstrução de galerias pluviais e dragagem de rios e canais.

O litoral aparece entre as áreas de maior preocupação. Em Morretes, a Defesa Civil realizou simulados de evacuação em áreas vulneráveis. Antonina também prepara um treinamento voltado à resposta em desastres. Schunig afirma que o Estado ampliou investimentos em prevenção nos últimos anos. “Estamos investindo em equipamentos, treinamento e ampliação das equipes de resposta”, diz. 

Outro foco é a ampliação do monitoramento meteorológico. O governo iniciou a aquisição de novos radares por meio dos programas Monitora Paraná e Monitora Litoral. Segundo o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza, a ideia é aumentar a precisão das previsões e agilizar os alertas à população. “Esses radares vão permitir orientar a população com mais antecedência para evitar transtornos e perdas”, afirma.

Mais chuva, menos seca e redução de queimadas

Apesar das preocupações relacionadas aos temporais, especialistas destacam que o El Niño também pode trazer efeitos positivos para o Paraná. Nos últimos anos, diversas regiões enfrentaram estiagem prolongada, redução dos reservatórios e aumento das queimadas florestais. A expectativa é que o aumento das chuvas ajude a amenizar esse cenário. “Nós já temos áreas do Paraná enfrentando seca há mais de um ano. A tendência é que essa condição vá perdendo força gradualmente”, explica Kneib.

Segundo o meteorologista, a recuperação da umidade do solo deve beneficiar principalmente as regiões Norte, Oeste e Sudoeste. Outro reflexo esperado é a diminuição dos incêndios ambientais. Mesmo assim, os especialistas reforçam que o cenário exige atenção permanente da população, principalmente em áreas de risco.

Embora ainda seja cedo para prever quais cidades serão mais impactadas, a avaliação técnica é que o Paraná deve enfrentar um segundo semestre marcado por mudanças significativas no clima. “O principal efeito será a combinação entre temperaturas mais altas e chuva acima da média, especialmente na primavera e no verão”, resume Kneib.

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