O ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, exigiu nesta terça-feira (06) em Bruxelas que Israel investigue as alegações de que soldados israelenses teriam executado centenas de prisioneiros egípcios capturados durante a Guerra dos Seis Dias (1967).

"A sociedade e o povo egípcios estão extremamente revoltados e esperamos que essa questão seja conduzida de forma que essa revolta egípcia seja compreendida e sentida", declarou Aboul Gheit. A imprensa egípcia, ao falar sobre um documentário exibido recentemente pela tevê israelense, caracterizou o filme como uma prova de que soldados israelenses executaram 250 prisioneiros de guerra desarmados capturados na Península do Sinai pouco depois do fim das hostilidades na guerra de 40 anos atrás.

O batalhão israelense envolvido no episódio era liderado pelo atual ministro israelense da Infra-Estrutura, Benjamin Ben-Eliezer, que ontem anunciou o adiamento de uma viagem que faria ao Egito. Ontem, o produtor do documentário, Ran Ederlist, acusou a imprensa egípcia de ter distorcido o assunto. Segundo ele, o incidente revelado no documentário não envolve prisioneiros de guerra egípcios desarmados, mas combatentes palestinos mortos no calor da batalha.

Aboul Gheit disse ter se encontrado com a ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Lvini, às margens de uma reunião da União Européia (UE) em Bruxelas. "Pedimos aos israelenses que conduzam uma investigação dos fatos e nos informem sobre o que for descoberto e as conclusões", disse ele a jornalistas. A chanceler "prometeu primeiro assistir ao documentário antes de assumir algum compromisso", prosseguiu Aboul Gheit. Livni não foi encontrada para comentar o assunto.

Em Israel, o Ministério das Relações Exteriores divulgou um comunicado no qual "lamenta que elementos no Egito tenham feito uso enganador e deturpado do filme, sem a devida checagem nem conexão com a realidade, com o objetivo de sabotar as relações entre os dois países".