Rio – O atacante Edmundo, recém-contratado pelo Palmeiras para 2006, foi preso na madrugada de hoje na zona sul do Rio dirigindo embriagado. O atacante, que já tem um histórico de confusões e mortes no trânsito, ainda recusou-se a obedecer os policiais e também foi autuado por desacato. Levado para a delegacia do Leblon, foi liberado após pagamento de fiança e vai responder ao inquérito em liberdade. A polícia do Rio pretende cassar a carteira de habilitação do jogador.

De acordo com o relato do soldado e do cabo da Polícia Militar que prendeu Edmundo, o atacante dirigia a sua picape Ranger Rover placa EZY 0010 pela Rua Mário Ribeiro, na Gávea, em alta velocidade e fazendo zigue-zagues. Os policiais então se aproximaram e o mandaram parar.

Edmundo não só não obedeceu, como tentou fechar o carro da polícia.

Depois de uma pequena perseguição, o jogador finalmente parou num posto de gasolina, próximo à sede do Flamengo. Os policiais pediram que ele descesse do carro, mas Edmundo apenas abriu a janela e disse que a ação dos policiais era uma "palhaçada". Os PMs então deram voz de prisão ao jogador por desacato à autoridade.

Depois do registro na delegacia, Edmundo foi levado ao Instituto Médico Legal, no Centro, onde um exame clínico comprovou que ele ingeriu bebida alcoólica antes de sentar ao volante. De volta à delegacia, o jogador pagou em dinheiro uma fiança de R$ 3 mil, fixada pelo delegado de plantão, e foi para casa, na Barra da Tijuca, por volta das 8h30. Na saída, ele não quis dar entrevistas, mas, ainda de madrugada, negou ter desacatado os policiais.

"Saí da boate (não informou qual) e estava indo para casa. O cara cismou que eu fiz alguma coisa errada", disse o atacante ao entrar no carro da polícia para fazer o teste. Pelo crime de embriaguez ao volante, Edmundo pode ser condenado a até quatro anos de prisão. Pelo desacato, está sujeito a uma pena de até seis meses de detenção. O jogador estava acompanhado de uma amiga, que não foi identificada. Na delegacia, disse que foi preso porque não quis pagar propina aos policiais e atribuiu o rigor da ação deles ao fato de ser famoso.

Edmundo já atuou no Vasco, Flamengo e Fluminense e se destacou no último campeonato brasileiro no Figueirense, de Santa Catarina. Há exatamente 10 anos, em dezembro de 1995, ele provocou um acidente na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio, que deixou três mortos. Edmundo dirigia um Jeep Cherokee que bateu no Fiat Uno onde estavam Carlos Brito Pontes e Alexandra Perrota, que morreram no acidente. Dias depois, Joana Martins Couto, de 16 anos, que estava no carro do jogador, morreu no hospital. Em 1999, o jogador foi condenado a quatro anos e meio de prisão em regime semi-aberto. Em julho deste ano, Edmundo envolveu-se novamente num acidente de trânsito controverso. Acompanhado de Mônica Santoro, ex-mulher do atacante do Vasco Romário, ele bateu no carro de um oficial de Justiça, com quem teve uma discussão.

O Detran do Rio informou que, apesar do histórico, o jogador não tinha qualquer impedimento para dirigir, já que as regras mais severas para a perda da habilitação só entraram em vigor depois da condenação dele pelo acidente. Edmundo não tinha pontos acumulados na carteira e o carro dele, licenciado em São Paulo, não tem multas a pagar. No entanto, com o episódio de hoje, o jogador pode perder a habilitação.

Titular da delegacia do Leblon, o delegado Alberto Pires Lage informou que, ao encaminhar o auto de prisão em flagrante à Justiça, vai recomendar a suspensão do direito de dirigir do jogador com base no artigo 331 do Código Penal e nos antecedentes do acusado.

O Detran solicitará cópia dos laudos médicos e do registro de ocorrência à delegacia do Leblon para abrir procedimento administrativo que visa à suspensão da habilitação com base no artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece como infração gravíssima dirigir sob a influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue. O código prevê, pelo menos, o acúmulo de 7 pontos na carteira, o pagamento de multa de R$ 957,70 e a suspensão do direito de dirigir por um período que pode variar de um mês a um ano.