O presidente do Bundesbank (o banco central alemão), Axel Weber, disse que o socorro financeiro fornecido à Grécia e à Irlanda danificou as próprias fundações da união monetária europeia. Discursando durante conferência com acadêmicos e empresários em Düsseldorf, Weber, que também é membro do Conselho Diretor do Banco Central Europeu (BCE), afirmou que é essencial que operações de socorro desse tipo não se tornem costumeiras.

“Temos de fortalecer novamente as fundações da união monetária”, disse Weber. Ele destacou os riscos de que países muito endividados da zona do euro possam tentar pressionar o BCE a não elevar as taxas de juro para evitar que o serviço de sua dívida se torne insustentável. Recentemente, Weber já havia dito que não estava disposto a ser submetido a esse tipo de pressão. Ele também anunciou que deixará o comando do Bundesbank no fim de abril e que não buscará ser o sucessor do atual presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, cujo mandato termina em outubro.

“Frequentemente são tomadas decisões de curto prazo que são contraproducentes no longo prazo”, afirmou Weber, referindo-se à proposta de permitir que o Programa Europeu de Estabilidade Financeira compre bônus de países da zona do euro em dificuldades no mercado aberto ou do próprio BCE, que já gastou 77 bilhões de euros para apoiar os mercados de dívida de Grécia, Irlanda e Portugal. “Somos um banco central independente. Se paramos de comprar bônus, não é para que alguém mais passe a fazê-lo”, acrescentou. As informações são da Dow Jones.