A Volkswagen prepara uma das maiores reestruturações de sua história, com cortes que podem atingir até 100 mil empregos. O objetivo é reduzir custos diante da crescente competição das montadoras chinesas e financiar a transição para veículos elétricos. A informação foi divulgada pela revista alemã Manager Magazin e confirmada pelo Financial Times e pela Bloomberg. As informações são da Gazeta do Povo.

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Caso o plano seja confirmado, a redução representará cerca de um em cada seis empregos do grupo, que reúne marcas como Volkswagen, Audi, Porsche, Škoda e Seat. A empresa não confirmou os números, mas afirmou em nota que o modelo atual de negócios não funciona mais para todas as marcas em razão da transformação vivida pela indústria automotiva.

Lucro da montadora caiu no primeiro trimestre

A reestruturação é conduzida pelo presidente-executivo Oliver Blume para recuperar a rentabilidade do grupo. No primeiro trimestre de 2026, o lucro operacional da Volkswagen caiu 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem operacional recuou de 3,7% para 3,3%, pressionada pelos custos da reestruturação, pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelo aumento da concorrência chinesa.

O plano em discussão vai além da redução de funcionários. Segundo a Manager Magazin, a fabricante avalia o possível fechamento ou redimensionamento de fábricas na Alemanha e a simplificação do portfólio de produtos. A pressão também decorre do desempenho na China, que durante anos respondeu por cerca de um terço das vendas globais do grupo.

Brasil entra na disputa com montadoras chinesas

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A disputa que pressiona a Volkswagen na Europa também influencia o debate sobre política industrial no Brasil. Marcas como BYD e GWM vêm ampliando rapidamente sua participação no mercado brasileiro, pressionando as fabricantes tradicionais. Em janeiro de 2026, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que o problema está na concessão de incentivos sem contrapartidas industriais.

No final de junho, a Camex decidiu prorrogar por mais seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos desmontados, no valor total de US$ 463 milhões. A decisão favorece principalmente a BYD, que iniciou operações em sua fábrica em Camaçari, na Bahia, no ano passado. Segundo a Anfavea, a ampliação da montagem por meio de kits importados poderá colocar em risco 69 mil empregos diretos e cerca de 227 mil postos indiretos na cadeia automotiva nacional.

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No Brasil, a Volkswagen aposta em modelos híbridos flex movidos a etanol, defendendo que essa tecnologia representa uma alternativa mais adequada para a transição energética em um país onde a infraestrutura de recarga para veículos elétricos ainda está em expansão. Dados do Google Trends mostram que o interesse de busca por marcas chinesas, especialmente a BYD, cresceu 21 vezes entre junho de 2023 e junho deste ano.