O impasse entre a montadora Volkswagen-Audi, instalada em São José dos Pinhais, e seus funcionários parece estar longe do fim. Ontem, os 2.500 trabalhadores decidiram cruzar os braços mais uma vez, por tempo indeterminado. A decisão foi tomada durante assembléia realizada nos portões da fábrica, no início do segundo turno, às 14h45. Os trabalhadores concederam prazo de duas horas para que a direção da montadora se manifestasse, acatando a determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Como até às 17h a empresa não se manifestou, os funcionários decidiram pela greve.

A paralisação acontece cinco dias depois de retornarem ao trabalho. Na semana passada, os trabalhadores ficaram parados de segunda à sexta. Voltaram a trabalhar quando os juízes do TRT decidiram pela legalidade da greve, determinando à montadora o pagamento de salário pelos dias parados, fim do banco de horas, redução da jornada de trabalho de 42 para 40 horas semanais e participação de lucros e resultados (PLR) no valor de R$ 2.950,00. A montadora, no entanto, recorreu da decisão e, na última terça-feira, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) acatou o pedido da Volks-Audi, suspendendo os efeitos da decisão do TRT sobre o pagamento dos dias parados e a redução da jornada.

“A empresa não quer negociar, tem se omitido”, reclamou o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Cláudio Gramm. Segundo ele, a greve continua até que a empresa apresente alguma proposta para ser discutida em assembléia. A montadora resiste em atender às reivindicações da categoria. Oferece R$ 2,7 mil de PLR e afirma que a jornada vigente – de 42 horas semanais – é menor que a legal (44 horas) e faz parte de um acordo vigente até março de 2005. Ontem, a montadora não quis se manifestar a respeito. Com a paralisação, cerca de 400 veículos deixam de ser produzidos por dia, entre os modelos Fox, Golf e Audi A3.