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Economia

Volks pede a Lula melhor condição para produção

  • Por Agência Estado
Lula autografa o capô do
novo carro da Volkswagen.

São Bernardo do Campo, SP  – A manutenção dos investimentos da Volkswagen no Brasil depende de condições de produção que possam tornar a indústria automotiva do País competitiva no mercado mundial. Ampliar a exportação, portanto, é a principal estratégia da montadora para voltar a ter lucros no País. As afirmações são do presidente mundial da VW, Bernd Pischetsrieder, que está no Brasil para comemoração dos 50 anos da montadora no País.

“As pré-condições para que os investimentos continuem a valer a pena são a capacidade de concorrência da indústria brasileira no mercado mundial”, disse o executivo. Ele lembrou que nos cinco últimos anos a montadora tem apresentado prejuízos. “Na verdade, a atual fase não nos satisfaz; a Volkswagen fez altos investimentos nos últimos anos e não pôde recuperá-los”, disse.

No início da manhã de ontem, Pischetsrieder e a cúpula da montadora no País reuniram-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para tratar de assuntos relacionados à produção de veículos no mercado brasileiro. Segundo o executivo, a VW conversou com o presidente sobre a necessidade de redução dos custos de produção no País.

Outro assunto abordado foi o lançamento de veículos com motores flexíveis. A montadora apresentou a Lula o modelo Total Flex, um Gol equipado com motor flexível, que pode ser abastecido simultaneamente com gasolina e álcool, na proporção desejada pelo consumidor.

Tupi

A decisão sobre a produção do novo veículo da empresa, o Tupi, para exportação, na fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), dependerá de acordo entre a montadora e os sindicatos trabalhistas para a flexibilização da jornada de trabalho na unidade. O Tupi a ser comercializado no mercado brasileiro será produzido na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná.

“Conversamos com o presidente e dissemos que a decisão é primordialmente econômica”, falou Pischetsrieder. Lula foi presenteado pela empresa com um capô do novo carro, estampado com a bandeira do Brasil. “O presidente foi a primeira pessoa não-participante do projeto a ver o carro pronto”, disse o diretor mundial de Recursos Humanos da companhia, Peter Hartz. A intenção da companhia é exportar o novo modelo para o Mercosul, o México e, futuramente, para a Europa e a China.

Em seu discurso, dirigido a 12 mil trabalhadores, durante a solenidade dos 50 anos da montadora, Lula afirmou que, como presidente da República, não poderia reivindicar à empresa a produção do veículo em São Bernardo do Campo.

“Para que o carro seja fabricado aqui, o presidente da República não pode fazer nada, porque qualquer outro estado também é Brasil, mas vocês podem gritar o nome do carro com muita força para o presidente da Volkswagen ouvir”, disse Lula, sendo atendido em seguida pelos trabalhadores que se manifestaram aos gritos de “Tupi, Tupi”. Pischetsrieder ouviu a manifestação sorrindo.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, confirmou que a produção do carro para o mercado brasileiro no Paraná está definida pelo protocolo de intenções firmado no ano passado. Segundo ele, a empresa garantiu que o modelo nacional saia antes da exportação. “Vamos brigar pelo modelo exportação se o nacional não sair antes”, afirmou.

Butka informou que as primeiras unidades do Tupi em São José dos Pinhais começarão a ser entregues às concessionárias em setembro. Os veículos para teste já começaram a ser fabricados. “A produção forte começa em janeiro de 2004, com previsão de volta do terceiro turno e geração de 300 a 400 empregos na fábrica, que hoje tem um excedente de 300 trabalhadores”, relatou.

Metalúrgicos não descartam greve

Olavo Pesch com agências

A exemplo do anunciado pelos metalúrgicos de São Paulo ligados à Força Sindical, os metalúrgicos da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) também podem entrar em greve caso as montadoras não negociem as recentes perdas inflacionárias. A data-base dos trabalhadores da Renault/Nissan, Volkswagen/Audi e Volvo é setembro. Na negociação do ano passado, todos tiveram reajuste salarial de 9,16%, correspondendo ao INPC do período de setembro de 2001 a agosto de 2002. Só que de setembro do ano passado a fevereiro deste ano, a inflação medida pelo INPC acumula alta de 13,06%. No mesmo período, a cesta básica subiu 23%, segundo pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos).

“Queremos discutir uma antecipação para a data-base de 2003, para recuperar em parte o poder aquisitivo dos trabalhadores”, explica o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Cláudio Gramm. “Ninguém previa que a inflação chegasse a números exorbitantes, de dois dígitos. Se esperarmos até setembro, o acumulado vai ser muito alto”, completa. “As empresas que deixarem para negociar o reajuste salarial tudo em setembro terão que arcar com um aumento de 21% a 27%”, projeta o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Dieese.

De acordo com o sindicato, a remuneração dos empregados não representa mais que 4% do faturamento das montadoras brasileiras. “O salário não é o vilão da folha de pagamento, até porque há sempre reajustes pingados nos preços dos automóveis. Se as empresas anteciparem 10%, representaria reajuste de 0,4% no preço do carro”, calcula Gramm, ressaltando que “o salário defasado corta o consumo da cadeia produtiva”. Dentro da campanha salarial de emergência, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba tem reuniões marcadas para quinta-feira com diretores da Volvo e na sexta com representantes da Renault/Nissan e Volkswagen/Audi. O sindicato está tentando abrir negociação também com as doze empresas do PIC (Parque de Fornecedores da Volkswagen/Audi), cuja data-base é outubro. Daquele mês até fevereiro, a perda inflacionária soma 12,13%.

Cerca de 7,5 mil empregados estão envolvidos nessas negociações. “O trabalhador está propenso a brigar. Se as montadoras continuarem com a posição radical de não negociar, há um indicativo muito grande de paralisação”, frisa Gramm. O resultado das reuniões com as montadoras será apresentado aos trabalhadores em assembléias de porta de fábrica, na próxima semana. Nessas assembléias será votada a possibilidade de greve, caso as conversas não evoluam.

Em São Paulo

Os metalúrgicos de São Paulo ligados à Força Sindical iniciam amanhã a primeira grande greve do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Quando era metalúrgico, há cerca de 25 anos, Lula liderou várias paralisações na região do ABC. A paralisação foi aprovada na manhã de domingo, durante o 10.º congresso da categoria, no ginásio do Ibirapuera. A categoria reivindica reposição salarial de 10% para compensar a inflação acumulada a partir de novembro, data-base dos trabalhadores. Eles prometem realizar paradas diárias em grupos de empresas, pretendem mobilizar os 280 mil metalúrgicos da capital e estender o movimento para todo o Estado de São Paulo. A expectativa do presidente do sindicato, Eleno José Bezerra, é que a greve paralise pelo menos 40 fábricas na quarta-feira. No total, são 750 mil metalúrgicos em todo o Estado de São Paulo.

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