A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, que administra o aeroporto de Campinas, no interior de São Paulo, negocia com duas companhias aéreas estrangeiras, buscando atraí-las para realizar vôos entre o interior paulista e destinos internacionais. O diretor comercial da concessionária, Aluizio Margarido, não relevou o nome das empresas, e disse apenas que elas têm origem na América Latina, revelando que a intenção é de que elas comecem a operar em Viracopos antes do início das operações do novo terminal, previsto para maio do ano que vem.

Atualmente, o aeroporto recebe apenas um voo internacional, conectando Campinas a Lisboa, mas a intenção da concessionária é reforçar a atuação internacional do aeroporto, como forma de ampliar suas receitas. Embora em obras para a construção de um terminal, a concessionária já reforçou sua infraestrutura no terminal existente para permitir a atração de voos com destinos estrangeiros, como a inauguração de um duty free e uma sala vip e a atração de um serviço de catering com operações locais.

“Uma companhia que passe a operar três voos semanais, com um avião grande, pode elevar a receita anual do aeroporto em 2%”, disse o executivo após participar de evento sobre o setor aeroportuário em São Paulo. Além da receita com o movimento de passageiros, os voos internacionais poderiam beneficiar o transporte de carga, impulsionando o faturamento também deste segmento. Atualmente, Viracopos é predominantemente de carga, já que 65% de suas receitas vêm deste segmento.

Além das duas companhias aéreas, a concessionária Brasil Viracopos também está buscando atrair voos charter (fretados) previstos para o período da Copa do Mundo. Margarido destacou conversas com a Aeroméxico par atrair alguns dos 120 voos charter que a empresa está programando, para diversas cidades-sede durante a Copa. Além disso, ele citou que a empresa fará apresentação durante feira internacional World Routes, em Las Vegas, em outubro, para apresentar o aeroporto. O foco inicial são empresas do continente americano, já que os três principais destinos internacionais a partir do Brasil são Miami, Nova York e Buenos Aires.

Embora tenha se mostrado otimista com as negociações em andamento, Margarido admite um crescimento mais expressivo na operação internacional do aeroporto deverá ocorrer apenas quando o novo terminal ficar pronto. “Sabemos que é muito difícil uma empresa vir sem ver o terminal operando”, disse. E como normalmente leva aproximadamente seis meses para abrir um novo voo, segundo o executivo, já que são necessários estudos de malha e rotas, além de processos burocráticos de solicitação de autorização junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a indicação é de que a chegada de novos voos internacionais seriam observadas principalmente a partir do final de 2014.

O resultado financeiro para a concessionária pode levar ainda mais tempo, já que a Viracopos Brasil está trabalhando com uma estratégia de oferecer descontos em taxas aeroportuárias, que poderiam ser parcialmente compensadas com o aumento no volume de tarifas de passageiros e no fluxo de comércio no aeroporto.