Vendas industriais do Paraná voltam a crescer em abril

As vendas reais da indústria paranaense cresceram 1,49% em abril, comparado a março, na direção oposta da desaceleração de 1,64% registrada no País. No acumulado do primeiro quadrimestre, o cenário é inverso: enquanto o faturamento brasileiro aumentou 1,96% em relação ao mesmo período do ano passado, o das empresas do Paraná recuou 10,08%. Os dados foram divulgados ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e pela Fiep (Federação das Indústrias do Paraná).

Na comparação com março deste ano, aumentaram as vendas para o Paraná (13,74%) e as exportações (2,70%), enquanto as vendas para outros estados do Brasil recuaram 7,18%. A indústria paranaense operou com faturamento real 60,94% superior à média de 1992, ano de início do levantamento. Os maiores aumentos ocorreram em perfumaria, sabões e velas (60%), vestuário, calçados e artefatos de tecidos (43,25%) e produtos alimentares (14,56%). As maiores quedas foram registradas em couros, peles e produtos similares (-29%), têxtil (-21,24%) e material de transportes (-14,06%).

No acumulado de janeiro a abril, apenas seis dos dezoito gêneros pesquisados tiveram incremento de vendas no Paraná. A maior alta foi verificada no ramo de madeira (45,56%). “Como a madeira está cada vez mais escassa no mundo, aumentou a demanda. Além disso o dólar ajudou as exportações do setor, e como os grandes clientes estão na Europa, o euro mais forte também alavancou as vendas”, explicou o presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho. Na seqüência, aparecem: vestuário, calçados e artefatos de tecidos (31,50%) e couros, peles e produtos similares (23,08%). Os destaques negativos foram: perfumaria, sabões e velas (-48,65%), têxtil (-44,90%) e material elétrico e de comunicações (-44,62%).

Porém o setor que mais pressionou a queda nas vendas em 2003 foi produtos alimentares (-17,40%), o de maior peso relativo na indústria do Paraná (37%). Parcela expressiva da produção desse segmento é exportada, mas com a valorização do real, mesmo mantendo a quantidade, o valor nominal ficou reduzido, informa a análise da Fiep. A balança comercial paranaense fechou os quatro meses iniciais de 2003 com saldo positivo recorde de US$ 987,5 milhões.

Dias melhores…

Na avaliação de Carvalho, o primeiro semestre mais difícil já era esperado. “Tenho consciência de que no segundo semestre vamos dar um salto. As perspectivas são boas, porque as exportações estão crescendo e abrimos novos mercados”, declarou, reafirmando que a estimativa de crescimento nas vendas industriais do Estado em 2003 é de 4 a 5%. Segundo o presidente da Fiep, o avanço nas compras reais é um sinal de que o setor está retomando o crescimento. De março para abril, houve alta de 14,43% e no acumulado dos quatro primeiros meses de 2003, de 15,95%. Outro indicativo da melhora é o nível de emprego industrial no Paraná, que evoluiu 1,89% comparado a março (8 mil vagas novas) e 7,80% no quadrimestre.

Carvalho comentou ainda que não se justificam as críticas do setor produtivo para a atual política econômica do governo federal. “É um remédio amargo, mas necessário”, considera. “Todos os setores vão crescer, até os que involuíram estão preparados. Como a utilização da capacidade instalada está em 76%, não é necessário investir para aumentar a produção. Assim que baixar a taxa de juros, diminui o compulsório e haverá mais recursos disponíveis”.

Plano Plurianual

No próximo dia 25, a Abong (Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais) reúne a sociedade civil organizada em Curitiba, no Cietep, para discutir as prioridades do Plano Pluarianual. “Só se faz programas sociais através do econômico”, defende Carvalho.

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