Foto: Ciciro Back/O Estado

Consumidor se manteve retraído e comprou menos durante o ano passado.

O comércio varejista do Paraná amargou prejuízos no ano passado. Enquanto o volume de vendas cresceu 4,76% em nível nacional, no Paraná houve queda de 0,97%. Foi o segundo pior resultado entre os 27 estados, atrás apenas do Rio Grande do Sul, que registrou queda de 2,10%. A forte estiagem que atingiu a Região Sul no primeiro semestre do ano é apontada como um dos principais fatores para a queda na renda do consumidor e, conseqüentemente, vendas fracas do comércio. Os dados fazem parte da pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No caso do Paraná, a renda foi afetada ainda pela queda de algumas commodities agrícolas e a valorização do real frente ao dólar. Ao todo, foram nove meses com as vendas registrando taxas negativas e apenas três com taxas positivas: janeiro (crescimento de 6,95%), março (3,25%) e junho (1,99%).

Entre os segmentos, o de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo foi o que apresentou o pior desempenho, com queda de 7%. Em nível nacional, as vendas desse setor cresceram 2,93%. ?É um segmento que depende muito da renda?, explicou o economista Reinaldo Pereira, do IBGE.

Outro setor com taxa negativa foi o de combustíveis e lubrificantes, com queda de 2,15% no Paraná e de 7,40% no País. Também com índice negativo ficou o segmento de livros, jornais, revistas e papelaria (-0,01%).

Já o segmento móveis e eletrodomésticos, com crescimento de 13,11% no ano, ajudou para que o índice no Paraná não fosse ainda menor. ?Foi o que segurou um pouco as vendas?, apontou o economista. Segundo ele, móveis e eletrodomésticos representam os bens duráveis na pesquisa e são sensíveis ao crédito. Outros setores com índice positivo no Estado, no ano, foram tecidos, vestuário e calçados (0,90%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (10,04%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (79,73%) – por conta sobretudo do real frente ao dólar -, e artigos de uso pessoal e doméstico (14,05%). Em 2004, as vendas do comércio no Paraná haviam crescido 11,28% em relação ao ano anterior.

País

Em nível nacional, as vendas do comércio varejista cresceram 4,76% em 2005 em relação a 2004. Foi o segundo ano seguido de resultado positivo para o comércio, mas com fôlego menor do que em 2004, quando as vendas haviam crescido 9,25%. Em dezembro, as vendas cresceram 1,19% na comparação com novembro e 4,28% sobre igual mês do ano anterior.

A pesquisa mostra que em 2005 o comércio voltou a ser sustentado pelo crédito. A atividade de equipamento e material de escritório, informática e comunicação liderou o crescimento em termos percentuais, com expansão de 54,01%, impulsionada pela taxa de câmbio e pela oferta de crédito.

O segmento de móveis e eletrodomésticos representou o maior impacto, com expansão de 16,02%. Apoiado na oferta de crédito, o consumidor apostou na compra de itens como TVs, fogões, entre outros. Em seguida, o destaque ficou com outros artigos de uso pessoal e doméstico (lojas de departamento, brinquedos, óticas, entre outros), com alta de 14,82%.

As únicas atividades que apresentaram resultados negativos no acumulado do ano passado foram os segmentos de combustíveis e lubrificantes, com queda de 7,40%, e material de construção, com retração de 6,06%.

As vendas no comércio não cresceram mais no ano passado em razão do próprio ciclo de endividamento das famílias, que já haviam comprometido uma parte do orçamento com o pagamento de prestações.