O mercado de veículos importados cresceu 0,4% em novembro ante outubro, com a venda de 2.650 unidades, informou nesta terça-feira, 13, a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa). Apesar do avanço, novembro foi o segundo pior mês do ano, melhor apenas que o resultado de outubro. Na comparação com igual mês do ano passado, houve queda de 33,4%.

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Com os resultados, o mercado de carros importados acumula, de janeiro a novembro, retração de 40,9% em relação ao volume atingido em igual intervalo do ano passado, com 32.516 emplacamentos. A expectativa da Abeifa é que o ano termine com a venda de 35,5 mil veículos, recuo de 40,8% ante o resultado final de 2015.

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Para a associação, os últimos meses têm sido mais fracos porque parte das marcas já atingiu a sua cota anual de importação com desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e que, com a baixa demanda do mercado, importar além da cota significa ter prejuízo.

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“Em novembro poderíamos ter obtido um resultado melhor. As marcas de volumes mais significativos não puderam nacionalizar seus produtos porque já estouraram suas respectivas cotas anuais. E hoje, vender fora da cota proporcional ou do limite de 4,8 mil unidades por ano é inviável”, disse o presidente da Abeifa, José Luiz Gandini.

2017

Se o governo não tomar nenhuma medida para socorrer as empresas importadoras de veículos, cerca de 100 concessionárias deverão ser fechadas no ano que vem, resultando na demissão de 4 mil funcionários, estimou Gandini. “E parece que 2017 vai ser ainda pior”, disse.

As importadoras contam hoje com uma rede de 450 lojas, um pouco acima da metade do auge alcançado em 2011, quando havia 850 revendas espalhadas pelo Brasil. Naquele ano, o número de funcionários era de 35 mil e hoje é de 13,5 mil.

As vendas tiveram um tombo ainda maior, saindo de 199 mil unidades há cinco anos para 35,5 mil em 2016, na previsão da Abeifa. Para 2017, a expectativa é de nova queda, para 25 mil unidades, 12,5% do total vendido em 2011.

O temor de Gandini diz respeito principalmente à crise política. Ele tinha a expectativa de que o governo assinasse em breve um decreto que daria uma folga tributária às importadoras, mas os recentes sinais de incerteza no ambiente político lhe dão sensação de que não há mais previsão para a adoção da medida. “Não vamos ter isso enquanto houver essa loucura no Brasil, esse desmando”, afirmou. “E eu não acho que isso vai acabar logo. O que nós vimos nos últimos dias foi resultado de apenas uma delação da Odebrecht. Ainda faltam mais de 70”, disse.

O pedido da Abeifa é que haja uma redistribuição das cotas anuais de importação com desconto no IPI. Pelas regras atuais, as marcas que importam veículos no Brasil pagam 35% de alíquota de importação e mais um acréscimo de 30 pontos porcentuais na alíquota do IPI, que varia de acordo com o modelo. No entanto, cada marca tem uma cota anual que pode importar sem o acréscimo de 30 pontos no IPI.

Ao superar a cota, o acréscimo passa a ser cobrado. O que Gandini tem pleiteado é que, caso uma importadora não consiga utilizar toda sua cota, o volume restante possa ser utilizado pelas demais marcas.

Apesar de pedir uma flexibilização das cotas para poder vender mais, a Abeifa reconhece que a demanda é baixa e diz que, com o clima que se vive hoje no Brasil, “ninguém quer comprar carro importado”. “Quem tem dinheiro não quer gastar e quem não tem não quer financiar”, afirmou. “Além disso, o clima entre os empresários está péssimo, ninguém tem coragem de comprar um carro mais caro sabendo que os funcionários dele estão sendo demitidos, ele não quer ostentar”, disse.