Os advogados envolvidos na operação ainda estão cautelosos em fixar uma nova data, mas os principais sócios da Brasil Telecom e da Oi já dão como certa a assinatura esta semana da reestruturação acionária das duas companhias. A expectativa dos sócios é de que o anúncio oficial à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) seja feito entre a quinta-feira (24) à noite e a sexta-feira (25).

Os advogados descartam a possibilidade das negociações entrarem maio adentro. Segundo eles, o acordo entrou na reta final e agora falta apenas concluir os últimos detalhes para que a operação saia do forno. Entretanto, para os advogados envolvidos não seria estranho se as negociações se estendessem pelo final de semana e o tão esperado anúncio oficial viesse só na segunda-feira (28).

A sensação de que o negócio está para sair levou o grupo Oi a montar um esquema especial de divulgação aos jornalistas. Além de alguns sócios, também irá participar da entrevista à imprensa o atual presidente do Grupo Oi, Luiz Eduardo Falco, cotado para assumir o comando da operadora após a reestruturação.

No final de semana, os acionistas cumpriram mais uma etapa nos preparativos para a venda da BrT para a Oi. Em comunicados à CVM os sócios anunciaram uma simplificação na cadeia acionária das duas companhias. Segundo fontes, a compra da Brasil Telecom vai sair ao redor de R$ 4,9 bilhões. Para a conclusão do negócio serão assinados cerca de 18 acordos, envolvendo a reestruturação acionária da TmarPart (controladora da Oi) e a própria compra da BrT.

Entre os acordos estão, por exemplo, a desistência de ações judiciais que os sócios da BrT moveram entre si. A briga opôs, basicamente, o Citigroup e os fundos de pensão brasileiros Previ (Banco do Brasil, Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica Federal) ao Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. Os sócios decidiram abrir mão das ações em que exigiam indenizações mútuas por divergências com relação à gestão e atos societários.

O que mais deu trabalho, segundo os advogados, foram os itens que tratam dos litígios envolvendo os acionistas das companhias, Citigroup e Opportunity. O importante para os acionistas é que os documentos não deixem brechas para contestações judiciais no futuro por algum dos sócios das duas empresas. Advogados lembram que existem várias ações correndo no Brasil, Estados Unidos e Inglaterra.

Além da questão judicial, os contratos precisam cobrir ainda pelo menos 11 diferentes operações de compra e venda de participações acionárias nas duas operadoras. A espinha dorsal do negócio é a venda do controle da BrT para a Oi. Os sócios das companhias começaram em dezembro a trabalhar no desenho da chamada "supertele", empresa que nascerá da reestruturação da Oi e simultânea aquisição da BrT.