Rio ? O presidente do Conselho de Administração da Varig, Joaquim Santos, admitiu hoje a existência de um Plano B caso não se efetive o processo de fusão com a Tam. Explicou que nunca se traça um plano sem alternativas. Apesar de todos estarem engajados na fusão e fortemente interessados em que ela ocorra para manter a organização equilibrada, segundo ele, a Varig não pode deixar de ter um plano alternativo para não ser apanhada de surpresa por fatores externos.

Devido às recentes mudanças na presidência da Varig ? em um ano e meio foram quatro presidentes (Ozires Silva, Arnim Lore, Manuel Guedes e Roberto Macedo) ? o Conselho decidiu criar um comitê executivo para dirigir a companhia, com o objetivo de concentrar todos os órgãos internos na direção defendida pelo controlador, a Fundação Ruben Berta, que já aprovou a fusão em duas assembléias. “O que se pretende agora é fortalecer o objetivo da fusão”, afirmou Joaquim Santos.

Entre os vários fatores de risco à união da Varig com a Tam, ele identificou as ações movidas pelo Ministério Público, interferências externas junto aos agentes financeiros, além de outras de caráter mais particular que se referem às negociações em curso no contrato de associação, contendo cláusulas suspensivas que poderão vir a ser executadas caso não haja entendimento entre as partes.

Ele classificou como “um plano fantasioso”, que seria uma das interferências externas, a proposta da Associação dos Pilotos da Varig (APVAR) de assumir a empresa, com a aval do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O presidente do Conselho de Administração declarou que a meta é assinar o contrato de fusão depois de derrubados os obstáculos jurídicos, para, em seguida, iniciar as negociações que definam qual será o modelo final da fusão. Deixou claro, entretanto, que ?se por qualquer razão tivermos que usar o Plano B, vamos usá-lo?. Santos afirmou, no entanto, que não poderia divulgar essa alternativa porque, segundo ele, ?não seria um Plano B?.

Ele lembrou que, em 1994, a Varig também foi gerida por um comitê semelhante ao anunciado hoje, que acompanhou o processo de reestruturação da empresa na época. Devido às condições da conjuntura econômica e do transporte aéreo terem se deteriorado no período, o Conselho de Administração da empresa decidiu recriar o comitê executivo, esclareceu. (Alana Gandra)